Depressão, uma companheira silenciosa

Hoje quero conversar com você que tem e tenta controlar essa dor chamada depressão.

Escrevi, há pelo menos 22 anos, no Diário de Antonio, vivências, experiências que tive com essa grande amiga que me acompanha até hoje. Confesso que não imaginei que ela pudesse me acompanhar por tanto tempo e do quanto me surpreendeu ao apresentar-se em minha vida de forma tão delicada e sutil à espera de uma oportunidade para “desabrochar” novamente. Ela chega de mansinho, nos pega em momentos de alguma perda importante, tristeza, desesperança ou quando o pensamento flutua na interminável pergunta: o que eu estou fazendo aqui? Não avisa. Abre a porta do nosso mais íntimo sentimento e vai se fazendo de amiga. Ganha a nossa confiança e quando nos damos conta, já está estendendo roupas em tons de cinza no varal de nossas almas. Dorme na nossa cama, nos acompanha por todo o dia e torna-se tão parceira que só queremos estar com ela. Abrimos mão de passeios, amigos, família. Sua companhia é tão marcante que apenas ela nos basta. E ali, sempre na cama, como nossa maior cúmplice, nos encerramos com ela no mais profundo segredo. Hoje, depois de muitos anos, não a chamo sorrateira, nem a trato como algo infeliz, aprendo com ela. Trato-a com carinho porque entendi que muitas vezes ela nada mais é do que uma criança ferida que não se sente segura ou amada e que só assim, olhando-a amorosamente e tratando-a com paciência e carinho poderei amenizar essa dor e ajudá-la a curar-se. E foram muitos anos para que eu pudesse entendê-la, aceitá-la e tratá-la com amor.

Sim, eu sou uma pessoa que tem depressão como muitos de vocês. Eu entendo a sua dor, o seu sofrimento, sua tristeza e toda a angústia em buscar ter de volta a sua alegria de viver.

No primeiro dos textos que escrevi sobre ela eu tenho uma frase que diz o seguinte:

“Não morri. Pelo menos ainda… Mas deixei morrer muitas de mim no meio do caminho, descartei-as, já não me serviam mais para ser o que eu queria ser. Tenho certeza que a experiência permitiu-me ser uma pessoa melhor.”

E foi assim.

Percebo tanta tristeza e desesperança nesse mundo que no meu papel de gente nesse formigueiro da humanidade tento contribuir para tornar melhor a vida de alguém. Nem sempre consigo, mas quando acontece a alma vibra em cores. Tenho plena consciência que mesmo com toda ajuda deste mundo, de amigos, familiares, profissionais, o “salvador” para resgatar a minha alegria de viver e insistir nessa caminhada de enorme aprendizado sempre, sempre, sempre, será eu mesma.

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📷arquivo pessoal

-Celi/1994

Sereno voo

FOTO Alexandre Mazzo

A vista  alada pousa leve em mansas rugas
Faz viagens, mira paisagens
O velho olhar contempla sereno o que viveu
Olhar de asas
Alça o jovem que um dia foi
Estira o peito ao impaciente vento que não espera
Lança-se ao céu de braçadas
Tomba em graça
E voa…
(22.12.98) 

O Melhor do mundo!

Será sempre o melhor do mundo o que te trouxer paz, beijar tua vida com      alegria, abraçar você com afeto, acolher você amorosamente, proporcionar a melhor e mais agradável experiência ou sensação naquele momento… Qual mesmo?

– Aquele que é só seu.

O “melhor do mundo”, na maioria das vezes, não tem medida porque esta sensação pertence somente a você.

Por isso, liberte-se de algumas crenças, faça o seu melhor pão, seu melhor dia, a melhor vida que puder ter.

O melhor desse mundo não está fora, está dentro de você

Estou no mundo mas não sou do mundo…

Foto: Alexandre Mazzo

Estamos no mundo, mas não somos do mundo.

Não temos nada apenas detemos…
Nem somos donos, somos mordomos, simples assim.
 
…Estou aqui de passagem. 
Esse mundo não é meu,
Esse mundo não é seu. 
Arnaldo Antunes / Branco Mello – 1990
Eu não sou da sua rua,
Eu não sou o seu vizinho,
Eu moro muito longe, sozinho.

Estou aqui de passagem.

Eu não sou da sua rua,
Eu não falo a sua língua,
Minha vida é diferente da sua.

Estou aqui de passagem.

Esse mundo não é meu,
Esse mundo não é seu.

 

 

Do outro lado da mesa.

De que lado você está?

Tudo nesta vida muda de lugar.
Concordo com o pensamento de Heráclito que: tudo é movimento, e que nada pode permanecer estático – Panta rei ou “tudo flui”, “tudo se move”, exceto o próprio movimento.” Ou, a própria mudança.

São as incertezas que movimentam a grande roda do mundo.
Todo plano sofre alterações, todo projeto um novo risco, tudo o que é rígido flexibiliza e a flexibilidade também poderá dar lugar à rigidez.
Nada permanece estático.
Em linhas menos contundentes e na lógica mais simples: ninguém é, todos estão.
Estou mãe, estou esposa, estou padeira, operária, executiva, dona de casa, posso estar no poder, mas não o sou, posso usufruir uma privilegiada situação financeira, mas não sou a situação financeira ou social.
Já escrevi que não tenho nada, apenas detenho. Não somos donos, somos mordomos.
Nas conversas que tenho com amigos vivo repetindo que nunca saberemos de que lado da mesa estaremos amanhã.
Estejamos atentos à linha do respeito, do cuidado, do melhor uso da palavra, escrita ou falada. Do melhor uso do cargo que ocupa, do pensamento e tente despir-se dos julgamentos que faz.
De que lado da mesa você está?
Do lado de cá pode ser eu ou você a pedir um emprego, uma oportunidade, uma nova chance, mas amanhã, do lado de lá posso ser eu ou você a oferecer ou negar tudo isto para alguém.
Uma responsabilidade.
Porque hoje, quem sou eu do outro lado da mesa, quem é você nestas voltas mundanas de trocas de papéis, saúde e posses?

Não nos damos conta da reflexão que provoca o pensamento de Heráclito. 
Estejamos atentos.
Tudo muda, nada permanece estático, a não ser, o próprio movimento.

(23092012)