Do outro lado da mesa.

De que lado você está?

Tudo nesta vida muda de lugar.
Concordo com o pensamento de Heráclito que: tudo é movimento, e que nada pode permanecer estático – Panta rei ou “tudo flui”, “tudo se move”, exceto o próprio movimento.” Ou, a própria mudança.

São as incertezas que movimentam a grande roda do mundo.
Todo plano sofre alterações, todo projeto um novo risco, tudo o que é rígido flexibiliza e a flexibilidade também poderá dar lugar à rigidez.
Nada permanece estático.
Em linhas menos contundentes e na lógica mais simples: ninguém é, todos estão.
Estou mãe, estou esposa, estou padeira, operária, executiva, dona de casa, posso estar no poder, mas não o sou, posso usufruir uma privilegiada situação financeira, mas não sou a situação financeira ou social.
Já escrevi que não tenho nada, apenas detenho. Não somos donos, somos mordomos.
Nas conversas que tenho com amigos vivo repetindo que nunca saberemos de que lado da mesa estaremos amanhã.
Estejamos atentos à linha do respeito, do cuidado, do melhor uso da palavra, escrita ou falada. Do melhor uso do cargo que ocupa, do pensamento e tente despir-se dos julgamentos que faz.
De que lado da mesa você está?
Do lado de cá pode ser eu ou você a pedir um emprego, uma oportunidade, uma nova chance, mas amanhã, do lado de lá posso ser eu ou você a oferecer ou negar tudo isto para alguém.
Uma responsabilidade.
Porque hoje, quem sou eu do outro lado da mesa, quem é você nestas voltas mundanas de trocas de papéis, saúde e posses?

Não nos damos conta da reflexão que provoca o pensamento de Heráclito. 
Estejamos atentos.
Tudo muda, nada permanece estático, a não ser, o próprio movimento.

(23092012)

Partitura


Tardes de domingo, almoços no quintal, amigos à nossa volta.
Tudo o que somos é a expansão da nossa essência.
O que agregamos, o que libertamos, o que mais queremos é a afinação dos sentimentos pelo tempo. No final, na leitura de nossas pautas afetivas, a melodia regida terá o ritmo de um coração corajoso e vibrante por ter persistido no bem.

Papel de Arroz (para Paulo Peruzzo)


um 

papel

de arroz

eu sou

um papel

de arroz

só um
arroz de papel 

eu sou

(27.08.2012)

Paulo me presenteou com um caderno japonês com folhas de papel de arroz para que eu escrevesse minhas divagações. Meu querido amigo se foi precocemente, eu sinto muito sua falta e lembro das tantas coisas lindas e cruas que me ensinou. Um legado para minha alma. Deus te proteja onde estiver.

 
 
 
 

PICUINHAS

Dizem que não deveríamos ligar para as picuinhas.
Ouço muitas vezes pessoas me contarem que um ou outro casal vive brigando por picuinhas… Ou que uma amizade se desfez por causa delas. Ou uma briga de trânsito iniciou-se por conta de uma única, minúscula picuinha…
E seguimos dizendo que são bobagens…

Tenho uma teoria diversa a respeito do “não se importar ou não ligar para elas”.
Para mim, picuinhas são vírus emocionais.
Espalham-se por todo lugar e quando fortalecidos pela unidade o mal estar provocado é tão grande que gera rupturas, quebras, e todos os sinônimos que se quiserem juntar a isto.
E o pior de tudo… Ninguém sabe, muitas vezes, de onde vem nem porque isto acontece. E até avaliarmos sua procedência, o vírus já se instalou. Já foi.
Baixa nossa imunidade, deixa-nos depressivos… Bobagem? Não, verdade.

Picuinhas estão por toda parte… Na família, no trabalho, nas empresas, no trânsito, no pedestre que caminha tranquilamente pelas calçadas da sua cidade… E isto quando não se soma um pouco delas advindas  destes ambientes, de cada lugar.
Picuinhas tornam-se problemas enormes quando não cuidadas, quando não as olhamos com a devida atenção. São sorrateiras, minam, corroem nossos sentimentos mais enobrecidos, nosso ânimo, nossa vontade, nossa alegria de viver.
São silenciosas mas é possível percebê-las…

Basta um pouco de vontade, de maturidade para fazer com que desapareçam, não sejam assunto.
Em casa ou no trabalho… Comece desejando-se um bom dia… Um bom dia genuíno! Faça um dia de não reclamar de nada, nem do marido ou do chefe, nem do filho ou do colega do trabalho, nem do tempo, da chuva, do sol, do frio ou do calor, tente! Cuide de seus afazeres como se fossem tarefas escolares, daquelas que você ganha pontinhos para serem somados à sua nota final! Não contribua para que as perversas picuinhas atormentem as suas ideias, sua alegria, seu dia. E lembre-se: “gentileza é fundamental”.

PLANO B

PLANO B

Desde que me conheço por gente meus planos Bs são muitos. Já virou quase um abecedário. Ter um plano B é ter a capacidade de se reinventar. Às vezes não o temos de pronto, às vezes ele nos aparece enviado por alguém, às vezes a necessidade te obriga a criá-lo e é nisso que mais acredito. Quanto mais planos Bs precisei criar ao longo da vida, mais provei a mim mesma a minha capacidade de me reinventar, de ter outra visão de mundo e descobri o quão resiliente precisei ser para empreender algo novo. E, melhor, conseguir dar conta – emocional, material, física, psicologicamente – dessa novidade, desse novo! Dos muitos planos Bs que já tive, sem dúvida nenhuma, o melhor foi tornar-me padeira. Quantas pessoas incríveis conheci e continuo conhecendo, e por quantos caminhos diferentes precisei me enveredar para aprender sobre quem sou e o meu lugar nesse mundo. Ter um plano B deu-me a oportunidade de me ressignificar, descobrir-me capaz de fazer algo diferente, com habilidades que estavam adormecidas, coisas que jamais imaginei que eu pudesse ser ou fazer. Para quem já teve muitos para experimentar, como eu, e ainda não param de aparecer, recorro aos versos da música que o poeta canta na tentativa de acalmar o meu coração e que diz: “é a busca do supremo equilíbrio num processo inteligente sua mente clarear sem perceber”. Para mim é crescer e cada dia mais viver meu propósito, descobrir-me e aceitar-me nele independente de qualquer ganho material que eu tenha e não ter vergonha dos meus fracassos. É entender minha real importância no aqui e no agora. É ter consciência do ser humano que quero me tornar. Que bom que alguns têm seu plano B definido de pronto. No meu caso é sempre uma experiência rara viver esse imenso abecedário de planos pelas portas e janelas da vida. É, por fim, o encontro comigo nas minhas buscas profundas, é aceitar e reconhecer a minha essência.
E você? Em qual letra do seu plano você está?