EU NO MUNDO

Talvez eu seja condenada por ter olhos claros.

Talvez eu seja condenada pela minha ascendência italiana.

Talvez eu tenha que me disfarçar quando andar pelas ruas porque tenho a pele clara… Vermelha, quando tomo sol.

Talvez eu seja censurada por gostar de escrever sobre as minhas próprias dores e amar conversas profundas. Mesmo sem você querer saber o que me fez ser assim.

Talvez eu seja cancelada por aqueles que pensam diferente de mim, mesmo se dizendo amigos, mesmo acreditando termos tantas coisas em comum.

Talvez eu seja bloqueada só por respeitar sua opinião e não querer entrar em contendas desnecessárias em respeito e consideração à nossa amizade.

Talvez eu seja julgada porque tento ser educada e gentil num mundo onde já está tão difícil reconciliações e seja considerada “fake”, ou um “ET” por me esforçar em continuar, em insistir ser assim.

Talvez você não me queira mais por perto porque eu não professo a sua crença e porque acredito em vida além da vida, cristais, feng shui, discos voadores, extraterrestres e teorias da conspiração. E, pra piorar, eu converso com as plantas e animais também.

Talvez eu não caiba mais na sua vida porque acredito na expansão de consciência, na unicidade do todo e, especialmente, sou cristã e temente a Deus.

Talvez, e isso pode ser o que vai pegar, eu seja sentenciada, condenada sem direito às instâncias que forem por ter nascido branca, pobre, de parto normal, na casa dos meus pais, pelas mãos da vó Jordelina…

Uma mulher preta, doceira, arretada e baiana.

Agora sim, o bicho vai pegar🙏

✍️Celi Anizelli

AMOR

Você nunca deixará de amar quem um dia você amou. O que muda não é o amor, mas a forma de senti-lo, seja ele como for. Porque o amor verdadeiro transcende. Do contrário, ficaremos estacionados na mágoa, no rancor, na dor e na aridez das nossas mais profundas emoções. Quanto mais conscientes formos daquilo que nos levou à beira do abismo emocional, mais fortes, livres e leves seremos para seguir adiante com nossas vidas.

🙏
Celi/Michel William/2005

O futuro a Deus pertence

Quem dera pudéssemos prever o futuro e as escolhas que nos levam a ele. Quase todo objetivo é alcançado com imprevistos ou contratempos.
A máxima: ” o futuro a Deus pertence” é quase uma Lei que merece cuidado e responsabilidade para fazermos a nossa parte sem ficar de braços cruzados deixando tudo a cargo D’Ele.
Fé, coragem, disciplina, amor, paciência, humildade são alguns requisitos básicos para chegarmos a esse futuro nem tão, tão distante.
Continue, o caminho se faz caminhando
com fé, com Deus e sem medo.

✍️

Celi Anizelli 

CAMINHOS

Ir, deixar ir, caminhar, andar, mover os pés, as pernas, erguer o corpo, erguer a alma, respirar, seguir em frente.

De novo, Deus?

Escolhas, decisões, como são solitárias.

A partilha de conversas e opiniões para encontrar uma solução, uma saída, é cheia de encontros convexos, generosos abraços que trazem o melhor conselho para o melhor caminho. Há pessoas que te amam genuinamente. Acredite!

Mas, depois do barulho de emoções e dúvidas, depois do silêncio alcançado, a decisão sempre será solitária.

Profundamente silenciosa e solitária.

Há ainda que se arcar com o rebote das consequências. Peso ou alívio. Perda ou ganho. Dualidade existente por qualquer escolha que fizer.

O que virá pela frente? Uma luz.

Só quero pensar que é Deus.

É Deus.

✍️Celi Anizelli

ENTRE PALAVRAS

Muitas vezes não sei me expressar verbalmente como me expresso na escrita, será um defeito?

Talvez meu pensamento acelerado atropele as palavras sem dar o tempo necessário para reflexões (já feitas por mim) mas não no contexto onde serão colocadas. Então, gero um esforço enorme para colocar a fala no seu devido lugar para buscar e levar entendimento… Em outras palavras, explicar o que estou tentando dizer.

Perco-me em reuniões sociais barulhentas, elas me impedem de ouvir com calma e atenção ou mesmo conversar sem interrupções… Tento encará-las pelo bem comum e porque, às vezes, a socialização traz algum benefício, seja alguém que não via há tempos e que gosto muito, seja uma novidade que se apresenta ao evento, e devo dizer que preciso de um tempo em silêncio para o meu refazimento depois que elas acontecem.

Se for por escolha, eu prefiro a conversa densa e profunda, gosto de perscrutar o que se esconde na alma, no olhar, nos movimentos corporais, sinais pouco esquadrinhados na correria do mundo de hoje. Mas existe espaço para conversas sem noção, não sou sisuda ou fechada feito sarcófago, não! E disparo boas gargalhadas quando essas conversas acontecem! São necessárias para dar leveza e graça ao espírito!

Embora pareça o contrário, sou para poucos amigos, e sei que estou rodeada por muitos que me querem bem, esta é uma das poucas certezas que tenho na vida.

Deixo brotar as sementes amigas que me mandam em forma de afeto, rego, cuido e também entendo que tudo tem seu lugar e tempo de moradia dentro da gente. Algumas mantenho como flores perenes na alma, um jardim de paz onde poderei me refugiar. Depois do aprendizado, é hora também de semear.

De todo o jeito, entre palavras, o dito vira escrito, o pensamento é a letra pausada e digitada para tentar fazer sentido.

Obrigada por você estar aqui✨🙏

✍️Celi Anizelli