DE VOLTA…e com o Ju!


Primos, primos, melhor não tê-los, mas se não tê-los como sabê-los. 
Ahhh…É, filhos…
Troquei de propósito e a propósito eu tenho primos que não acabam mais! 

Acho que já comentei que sou descendente de família de italianos, numerosa por si só, daquelas que meu pai tem 10 irmãos e minha mãe também!! 
Daquelas que não dá para fazer nada intimista, porque tudo vira um evento!

Ainda agora pude fazer uma contagem rápida e cheguei à uma pequena soma de 127 primos dos dois lados da minha família. 
Primos casados, filhos dos primos, agregados…
E incluo mais 10 somando a mim e meus irmãos com nossos cônjuges.
Ainda tenho os primos dos nossos pais que acabam sendo primos também de primeiro, segundo ou de contatos imediatos de terceiro grau. 
É de se perder em parentes…
É um mar de parentes que não tem fim!!

Mas hoje, atendendo às inúmeras cartas que não param de chegar, aos e-mails que não dou conta de responder, telefonemas sem fim me atormentando de perguntas, uma fila de fãs acampados na porta da minha casa, debaixo de chuva e frio que só faz aqui nesta terra, sim porque lá em Londrina é diferente,  vim escrever sobre um primo em especial…

E aí Ju?? 
Aguente que agora você terá seus 15 minutos de fama, pelo menos por aqui!!!

Juliano, este meu primo querido, moreno, alto, bonitão, administrador de empresas, sorridente até parece que faz comercial de pasta de dentes!! 

Putz, não me lembro a idade, mas deve estar perto dos seus 29?? 
É Ju? 
Se não for é por aí. 
Tá bom, tá bom…
Fui ver no seu “face” para ter certeza, e ai de mim se eu contar mentira aqui!

Então…
Sempre que começa a conversar ele usa esta palavra…
Então Cê…
A conversa mansa e calma, maduro para sua idade sim, não de agora, mas de antes. 
Bisneto de imigrantes italianos…

Empresário no ramo de confecções…(estou rindo sozinha aqui)
…Ok, ok, vou começar tudo de novo, vai, mas sem tirar uma vírgula da introdução, falou?

O Ju é destas pessoas que eu, mesmo na distância de nossas idades, quero ficar perto e espero que ele perto de mim. 


Quando vou à Londrina não dispenso nosso carteado onde ele, a Ana (minha irmã) o Du (irmão mais novo do Ju) e eu sentamos para montar as duplas dos bonitos contra os inteligentes…

Claro que eu e o Du somos os inteligentes, ainda mais agora que ele passou na OAB, uhuuu!! 
Ficaremos mais terríveis ainda com este reforço!!! 
Chega de aguentar esta dupla de bonitões. 
Ai que ódio!! 
Brincadeira, mas é assim mesmo! 
O bom é que passamos algumas horas rindo muito e só fico brava quando estou lá e não o vejo.

De tudo o que já existiu em nossa convivência vê-lo crescer, ir para faculdade, formar-se, viajar para os Estados Unidos, tentar viver em Nova York, voltar ao Brasil, assumir responsabilidades junto à família, tudo, tudo só fez dele uma pessoa melhor, todos os dias.

Ju, deixo aqui meu carinho, meu respeito e admiração por você. 
Torço pelo seu sucesso, está em minhas orações e no coração.

E para mim, quem é o Ju?
Acho que ele é meu primo-gêmeo, não tem alma-gêmea? 
Então, ele é meu primo-gêmeo!
Beijo, “ti loviu”!

Então, Ju…

SALVA…Salvador

Chegaram dois irmãos…
E Alexandre me perguntou qual eu queria.

Respondi que esperasse porque o “escolhido” nos escolheria.

E um deles correu quintal adentro, marcou território, foi e voltou algumas vezes e o outro ficou quietinho parado perto do portão.
Estava escolhido!

Chegou em casa com três meses de idade, lindo e ainda com os olhos azuis.
Andava engraçado, suas patas e orelhas eram enormes para o seu corpo.
“-E o nome??? “
Perguntaram Alexandre e Antonio, enquanto saiam para levar nosso hóspede ao veterinário…

Pensei um pouco e gritei:
“-Salvador! Depois explico porque!”
E os dois responderam:
“- Legal, gostamos!”
…E foram com ele para sua primeira consulta.

A história começa pelo menos há dez anos…quando eu estava em Bela Vista do Paraíso, cidade onde moram os meus pais.
Eu fazia compras, num sábado à tarde, no supermercado da cidade.

Fazia um calor enorme, daqueles que a gente tem no Norte do Paraná…

O sol já entrava porta adentro quando de repente, da rua, ouvi um barulho e um gemido.
Corri para ver o que havia acontecido e lá fora, prostrado no chão, um vira lata com a perna sangrando em fratura exposta…

Nem dá para dizer que mal consegui voltar para terminar as compras…

Recorri a uma amiga, Luana,  que de vez em quando recolhia animais de rua e os adotava para saber se poderíamos fazer algo por aquele cachorro que me comovia só de olhar.

Pegamos um carro, forramos de papelão, colocamos o cachorro nele e partimos às pressas para o hospital veterinário da UEL.
Pelo caminho,  conversávamos sobre qual seria o próximo passo para ajudar o bichinho…

Chegamos e fomos atendidas pelo Dr. Paulo Costa, meu amigo de crença e que na época dirigia o hospital.
Cuidou, fez curativos e por fim, depois de tudo feito,  aparece nosso maior dilema: quem e como cuidaríamos dele?

Luana me dizia que não havia como deixá-lo na sua casa porque já estava com “super-lotação”.
E eu, por minha vez, morava com meus pais naquele momento e eles viviam num apartamento…

Meu coração se apertou de um jeito que fui perguntar ao Paulo se o cachorro poderia ficar no hospital, se existia um canil para abrigá-lo…
E a resposta foi não, não existia e que não poderiam ficar com o animal.

Luana e eu nos entreolhamos e…Mais uma vez perguntamos ao Paulo:
“- E se o devolvêssemos às ruas, como seria?”
A resposta foi simples e seca:
“-Ele morrerá!”
“-E agora, Luana? Tanto esforço para que ele morresse?”

Pensamos, pensamos, pensamos…E o Paulo nos vendo naquela situação nos disse que havíamos feito o que estava ao nosso alcance…
As lágrimas já brotavam dos olhos da Luana e dos meus…
Nos abraçamos e decidimos sacrificar o vira lata pois a morte seria um destino certo.

Tá, tá…Não me venha dizer porque é que não pensamos nisto antes…
Na verdade não pensamos mesmo…putz!

Não tínhamos como acolhê-lo, nem levá-lo de volta para deixá-lo nas ruas…
Foi triste demais decidir por isto, foi doído, e olhem…Era um vira lata…E nós sofremos como se fosse um cão que nos acompanhasse por uma vida!

Por fim, decidido estava, decidido foi!
Mas pior que isto, quando fui chamada para fazer o registro, a ficha do animal, é…
Registro de autorização para a execução do bichinho…
Não bastasse a dor, ainda seria euzinha a responsável pela sua morte!

Ai…Quase morri também!

De novo a choradeira, fui devagar preenchendo a ficha daquele animal que eu acreditei estar salvando…
Um peso na consciência, uma dor no coração, senti-me a carrasca assinando aquele papel!

Entreguei a ficha para a moça que me devolveu perguntando:
” -E qual é o nome do cãozinho?”
Pensei…”Nome? Que nome vou dar para um bicho que mal conheço e que só tentei ajudar…E que agora por minha conta e risco estou despachando para o além?”

Pensei e escrevi na ficha prometendo a mim mesma que seria o nome do meu cachorro quando eu tivesse um…
Escrevi: SALVADOR…

Devolvi a ficha desolada e com a Luana voltamos em silêncio para casa.

Dez anos se passaram e quase esquecida a história me aparecem dois filhotes para que eu escolhesse um…

Salvador, Salva (na foto), como carinhosamente o chamávamos, viveu três anos conosco.
Morreu em junho de 2009 por causa de uma insuficiência renal.

Um cão dócil, lindo, estabanado e brincalhão e que, tenho certeza, ainda passeia entre nós no nosso quintal!

fotos: Alexandre Mazzo