Casamento da Bisquí…
E foi assim…quando ela entrou no salão, emocionei-me e não consegui conter minhas lágrimas.
De onde eu a via, lá no altar, lembrava do bebê fofo que foi e cheia de dobrinhas que ela tinha como se fosse um pãozinho.
Depois, lembrei-me de mais fotos de ainda criança com caras e bocas e dos cabelinhos encaracolados.
Lembrei da brincadeira que fazíamos (imitando aquela serra-serra…) onde eu falava e ela completava sempre a última sílaba: “você é meu a-mor, você é minha vi-daaa e você é a minha pai-xão e eu adoro vo-cêêê”…
Da primeira cartinha que escreveu para mim e que até hoje tenho guardada.
Um dia, quando tinha uns 5 ou 6 aninhos, ao sair com sua mãe, ficou preocupada comigo porque eu ficaria sozinha em casa e me disse:
“-Tia, vou falar para o seu Zé ficar com você”…
O seu Zé era o porteiro do prédio…
Bisquí,
te desejo toda a felicidade do mundo.
Que não haja obstáculos para o seu amor e que ele possa ser fortalecido onde você o colocar: no respeito, no carinho, nas palavras, em suas atitudes…
E que, principalmente o Caíque, seja um homem merecedor da esposa maravilhosa que tenho certeza que será!
Deus os abençoe, na alegria, na saúde, na prosperidade e Deus os una, sempre e muito em quaisquer situações de dificuldade.
Um beijo no Caíque e na minha sempre linda Bisquí.
Sua tia coruja, chorona e que te ama muito!
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Depois da lua-de-mel, Mariana veio cuidar da sua mudança e ficou 5 dias comigo em minha casa.
Para mim, foi um presente estar com ela durante estes dias.
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| Fotos da equipe de Regina Dalzoto – Guarapuava-PR |
Ai Solidão!
Ela chega de mansinho, como quem não quer nada, o telefone que não toca, uma amiga que não vem, o silêncio da casa vazia pela ausência do filho que está na escola, do marido que está no trabalho…
Eu sempre dizia a mim mesma que adorava ficar sozinha…De vez em quando!
Mas ultimamente, quero isto não! Estou com saudades das minhas velhas amizades, da casa da minha mãe, das reuniões de família, do calor da minha terra e do astro rei: o Sol!
Quando ele aparece até minha alma muda de cor, incrível!
Não consigo imaginar o que é a vida de algumas pessoas sem ele.
Mas mesmo assim, prometi a mim mesma que nem chuvas, nem tempestades, nem o frio seriam obstáculos para vencer minha preguiça de inverno, meu sentimento de hibernação.
Eu tento combatê-los veementemente, mas em algum momento sinto-me vencida.
Digo a mim mesma quando acordo: coragem, levanta desta cama, chacoalhe esta mulher que está dentro de você!
Aí vou…Arrastando o chinelo, enrolada no meu roupão, preparar o café na cozinha e com superior ironia a louça de ontem na pia ainda olha para mim…
Mas, quando toda esta angústia solitária parece se transformar numa avalanche de queixas e dias de introspecção…Lembro do Burro…o amigo do Shrek cantando:
“Que solidão, ninguém aqui ao lado…”
Pois é, se vou chorar ou se vou rir…Nem Roberto Carlos irá descobrir.
Beijo, me liga!
e depois…
Venha conhecer esta delícia preparada pela minha talentosa irmã!
A PAZ E ANTONIO
Escrevi este texto em março de 2003.
Meu filho hoje (2025) tem 23 anos é lindo, amoroso, um amigo de todas as horas.

Pela manhã, ao acordar, fui até o quarto do meu filho que dormia tranqüilamente em seu berço o sono dos anjos.Antonio tem apenas 1 ano e dois meses. Passei a mão sobre sua cabeça e pedi a Deus que cuidasse do seu futuro.Pensei em tantas coisas boas que ainda quero viver ao seu lado, nas alegrias que quero dividir, nas emoções que quero compartilhar.Pedi a Deus que nos conduzisse a um mundo cheio de paz.Fiquei ali, parada olhando para ele, ouvindo sua respiração, esperando que acordasse a qualquer momento com seu maravilhoso bom humor matinal.Antonio, quando acorda, senta em seu berço e nos espera sorrindo erguendo seus pequenos braços para nos saudar em mais um dia.É luz. E é a maior expressão de vida que me impulsiona a superar quaisquer situações sobrepostas à minha correria profissional ou pessoal.Volto ao meu quadro inicial, observo brinquedos coloridos espalhados por todo o chão, aviões e caminhões estacionam nas pequenas vagas destinadas a bolas, cavalo de pau e um enorme cachorro de tecido deitado no meio do quarto. Pequenos quadros na parede, pintados a mão por mim mesma, em momentos de uma feliz cumplicidade, quando ainda estava grávida.Ao mesmo tempo em que observo Antonio mais uma vez, penso em outras mães e outros filhos, que não possuem esta rara oportunidade de amor e contemplação.E mais uma vez, agradeço a Deus por estar ali, ao seu lado apenas esperando que acorde para iniciarmos outro dia.Agradeço pela primeira hora de cada manhã, ser eu a pessoa que irá vê-lo abrir os olhinhos, abraçá-lo, segurá-lo no colo, e rir com ele!Que bom se todas as mães do mundo pudessem, ao acordar, ter alegria e paz junto aos seus pequenos filhos. Ouvir sua respiração no berço enquanto ainda dormem. Olhar seus brinquedos e saber que seus filhos são felizes naquele pequeno universo.Por outro lado, toda a imagem se desmonta, como se fossem pequenas peças de um quebra-cabeça, ao imaginar-me como as mães num mundo em guerra. Ao olhar para o meu filho tão inocente dormindo, imagino como deve ser o olhar destas mulheres para os seus filhos, o que lhes reserva a vida em meio a bombas, mísseis e miséria.Não há quartos nem brinquedos, seus filhos sujeitam-se a dormir ao relento, em caixas, em redes, ou no chão. Não há água sequer para limpar a sujeira de seus rostos, para dar-lhes o mínimo de dignidade.Enquanto isso, aqui do outro lado do mundo, meu filho começa a acordar, alegre, forte, sorridente. Já me vê em pé ao lado do berço e começa a brincar. Reflito sobre o tempo que passamos juntos e nas mães que mal conseguem dimensionar o tempo.Meu dia hoje será de orações para as mães que estão vivendo em meio à guerra. Um dia todo pedindo a Deus que as proteja e aos seus filhos. Que amanhã possam acordar deste pesadelo num quarto cheio de brinquedos coloridos olhando seus filhos dormindo em paz.
DEUS ESTEJA COM TODAS ELAS.
PÃO A QUATRO MÃOS
O dia era 06/10/2010 – Antonio (com 8 anos) e eu…
Pela manhã, enquanto preparava a massa do pão…”- Mãe, já sei o que eu vou ser quando crescer!” Disse meu filho.”- Padeiro, como você!”
Precisei conter o riso pela graça que acabava de ouvir e claro, sem contar minha corujice toda, que colocada à prova, fez-me segurar a vontade de dar um amasso nele!Colocou-se todo solícito para ajudar-me com os ingredientes e experimentar as texturas vindas da mistura que estávamos prestes a fazer. Expressões desde:”- Que legal que é o fermento!”Até outras como:”- Ai que melequento que é o ovo!”Foram ouvidas e acompanhadas das caretas mais diversas.E a conversa prosseguia:”- Mãe, agora posso por o leite?”No que eu respondia:”- Espere, meu filho, vou esquentar…”E foi mexendo.”- Mãe, posso quebrar o ovo, deixa mãe?””- Vai, filho, mas quebra numa tigelinha antes porque se cair casquinha na massa vai quebrar o dente de alguém.”Aqueci o leite e coloquei na mistura, depois pedi ao Antonio que, com as mãos bem limpas a mexesse…
Com cara de quem não estava muito a fim de “melecar” as mãos disse:”-Mas mãe, eu mexo com a colher mesmo, olha só!””- Não, filho, com a colher a gente não percebe se o açúcar derreteu todo antes de adicionar o resto dos ingredientes, entendeu?””-Entendi, mãe!”Colocou as mãos na mistura e começou a relatar sobre a temperatura do leite, sobre o açúcar que ainda não estava todo dissolvido, pediu para que eu adicionasse todos os outros ingredientes enquanto o quadro acima das bocas e caretas acontecia.
Colocamos os ovos, o óleo, e a cada novo ingrediente tinha sempre uma nova observação, quente, frio, gosmento, melequento, grudento e todos os outros “entos” possíveis.Comentei sobre a farinha integral explicando que a massa fica um pouco mais pesada que o outro pão feito com a farinha branca.E ele ali, firme e forte misturava e conversava comigo sobre a “filosofia” do pão!Amassamos juntos o pão, apertamos, batemos a massa com punhos fechados para que ela ficasse bem misturada. Enrolamos os pães, esperamos crescer e os colocamos para assar…Pão a quatro mãos! Pão feito com o coração.





