O Besouro da Capa Dourada e Coroa de Esmeralda (um pequeno conto)
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| Besouro Lamprocyphus augustus, espécie nativa do Brasil. [Imagem: Jeremy Galusha] |
Até pensei em ajudá-lo, pois vivo ajudando besouros e outros bichos a desvirarem-se, mas qual o quê!
Será que insetos também dormem?
Será que é um filhotinho e está perdido?
Quantas histórias ele teria para contar?
Quantas casas visitou e quantas pessoas diferentes ele conheceu?
Como é seu nome? De onde vem?
Posso ajudá-lo em alguma coisa?”
De qualquer modo, seja bem-vindo ao meu ambiente.
E não me importo com o susto que me deu.
Já que não quer conversar sobre nada, faremos companhia um ao outro.
E há prenúncios de chuva… Senhor Besouro, o senhor também sente o cheiro de terra molhada no ar?
As pessoas se esquecem de muitas coisas, o senhor não acha?
E os insetos?
Eles esquecem também?”
Nada.
Ele não respondeu nada.
Será que preciso buscar meu dicionário de besourês para conversar com o senhor?
O meu de português-insetês-insetês-português está emprestado; é um dicionário mais completo, mas, Borboleta-Violeta passou por aqui outro dia e o levou.
É, acho que além de orgulhoso ele deve ser surdo.
Tento dar um sopro nele, pppfffff….
E espero para ver o que vai dar…. Aff!
E sabe o que ele faz?
Sim-ples-men-te, estica lentamente suas pernas e só!
Continua paradinho, quietinho, no mesmo lugar.
Na toalha da mesa onde ele pousou tem um desenho assim:
E estende-se majestoso, abrindo sua capa dourada e reluzindo sua coroa de esmeralda.
Será que ele parou por ali para cumprir uma missão?
Por quanto tempo esteve voando à procura de um rei para enfeitar?
Pode ser também que ele nunca mais saia dali.
Fiquei a me imaginar naquele besourinho.
O quê eu faria se tivesse uma capa dourada, uma coroa de esmeralda e pudesse voar?
Que histórias eu contaria?
Você até poderia me fazer as mesmas perguntas e ter as respostas que eu não tive, dependeria do meu humor, é claro!
Mas, se preferir ficar calado, mesmo que seja em pensamento, vou tentar com o meu silêncio saber te ouvir.
Porque no fundo, todos nós procuramos ter um pouco da capa dourada e da coroa de esmeralda para poder voar até encontrar o nosso próprio rei.
Noite e Dia
Casamento da Bisquí…
E foi assim…quando ela entrou no salão, emocionei-me e não consegui conter minhas lágrimas.
De onde eu a via, lá no altar, lembrava do bebê fofo que foi e cheia de dobrinhas que ela tinha como se fosse um pãozinho.
Depois, lembrei-me de mais fotos de ainda criança com caras e bocas e dos cabelinhos encaracolados.
Lembrei da brincadeira que fazíamos (imitando aquela serra-serra…) onde eu falava e ela completava sempre a última sílaba: “você é meu a-mor, você é minha vi-daaa e você é a minha pai-xão e eu adoro vo-cêêê”…
Da primeira cartinha que escreveu para mim e que até hoje tenho guardada.
Um dia, quando tinha uns 5 ou 6 aninhos, ao sair com sua mãe, ficou preocupada comigo porque eu ficaria sozinha em casa e me disse:
“-Tia, vou falar para o seu Zé ficar com você”…
O seu Zé era o porteiro do prédio…
Bisquí,
te desejo toda a felicidade do mundo.
Que não haja obstáculos para o seu amor e que ele possa ser fortalecido onde você o colocar: no respeito, no carinho, nas palavras, em suas atitudes…
E que, principalmente o Caíque, seja um homem merecedor da esposa maravilhosa que tenho certeza que será!
Deus os abençoe, na alegria, na saúde, na prosperidade e Deus os una, sempre e muito em quaisquer situações de dificuldade.
Um beijo no Caíque e na minha sempre linda Bisquí.
Sua tia coruja, chorona e que te ama muito!
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Depois da lua-de-mel, Mariana veio cuidar da sua mudança e ficou 5 dias comigo em minha casa.
Para mim, foi um presente estar com ela durante estes dias.
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| Fotos da equipe de Regina Dalzoto – Guarapuava-PR |
Ai Solidão!
Ela chega de mansinho, como quem não quer nada, o telefone que não toca, uma amiga que não vem, o silêncio da casa vazia pela ausência do filho que está na escola, do marido que está no trabalho…
Eu sempre dizia a mim mesma que adorava ficar sozinha…De vez em quando!
Mas ultimamente, quero isto não! Estou com saudades das minhas velhas amizades, da casa da minha mãe, das reuniões de família, do calor da minha terra e do astro rei: o Sol!
Quando ele aparece até minha alma muda de cor, incrível!
Não consigo imaginar o que é a vida de algumas pessoas sem ele.
Mas mesmo assim, prometi a mim mesma que nem chuvas, nem tempestades, nem o frio seriam obstáculos para vencer minha preguiça de inverno, meu sentimento de hibernação.
Eu tento combatê-los veementemente, mas em algum momento sinto-me vencida.
Digo a mim mesma quando acordo: coragem, levanta desta cama, chacoalhe esta mulher que está dentro de você!
Aí vou…Arrastando o chinelo, enrolada no meu roupão, preparar o café na cozinha e com superior ironia a louça de ontem na pia ainda olha para mim…
Mas, quando toda esta angústia solitária parece se transformar numa avalanche de queixas e dias de introspecção…Lembro do Burro…o amigo do Shrek cantando:
“Que solidão, ninguém aqui ao lado…”
Pois é, se vou chorar ou se vou rir…Nem Roberto Carlos irá descobrir.
Beijo, me liga!
e depois…
Venha conhecer esta delícia preparada pela minha talentosa irmã!







