PORTO SEGURO OU ÂNCORA?

Praia de Boa Viagem – Recife – Foto: Márcio Sena




PORTO SEGURO OU ÂNCORA?

Se quiser ser, seja um porto seguro para aqueles que se acercarem de você, mas nunca a âncora a impedi-los de navegar e descobrir outros mares.

Neste mundo precisamos de mais apoiadores e menos julgadores. De mais carinho, respeito, reconhecimento e amor. Mais generosidade, mais gratidão, mais perdão.

Pessoas âncora nos adoecem, nos envelhecem e sem perceber amargam e estagnam nossas vidas como as delas… São egoístas, mal amadas e mal resolvidas. São ácidas, extremamente críticas e negativas, são quase cegas e surdas pois tem visão e audição limitadas apenas para o que julgam certo sem abrir precedentes para um diálogo.

Pessoas porto seguro são aquelas que te recebem e te acolhem e, muitas vezes, te proporcionam a sensação de bem estar que só bons e velhos amigos conseguem
Dividem histórias, compartilham alegrias, ajudam em momentos de tristeza, te fazem amadurecer e crescer e são apoiadores natos.

São aquelas que quando estamos com elas não percebemos o correr das horas e há assuntos de toda natureza para conversar. Até aqueles assuntos mais estranhos ou difíceis, aqueles impensáveis em dividir com alguém.

São pessoas que quando as reencontramos, parece que foi ontem que as vimos… Pois com elas não se perde o vinculo, continuamos conectados, passe o tempo que for.

São pessoas que em qualquer oportunidade arranjam um jeitinho de te valorizar e te elogiar  e são capazes de demonstrar um amor genuíno por você sem afetação. São especialmente aquelas que você sente muito quando precisa deixá-las para ir navegar em outras águas mas que estarão ali para quando precisar ou voltar.
E você sempre as reconhecerá em sua alma.

Então, desejo que você seja uma pessoa porto seguro nesses mares da vida e que tenha também a oportunidade de ser acolhido por pessoas assim, que você tenha coragem para desamarrar-se das muitas âncoras (inclusive as suas próprias) que te impedem de ser alguém melhor e feliz.

Seja feliz!
Deus te abençoe✨🙏✨

TIPO ASSIM…

Penso que generalizamos muito o significado das palavras e expressões e caminhamos em direção ao mais pobre sentido das nossas letras.
A pressa não nos deixa respirar direito o que nos impede de oxigenar o cérebro e, por consequência, vivemos com todos os nossos 5, 6 ou mais sentidos intoxicados.
Concluo que respirar é importante!

Diante desta minha crise semântica separei cinco pérolas que vez ou outra fazem-me parar, pensar, refletir, meditar… E se mais tarde eu lembrar de mais alguma, vou adicionar também.

Vamos a elas:

Número um:

PREFERIDO e PREFERIDA

Para mim a preferência é uma palavra com sentido volúvel, genérico e excludente.
Um dia elegemos o sol como preferido, no outro fazemos o mesmo com a lua, portanto, a preferência é volúvel.
Depois, estendemos a preferência ao paladar: macarronada é o meu prato preferido!
Pronto, está eleito… E o tabule eleito como preferido na semana passada foi desbancado sem aviso prévio!
Ah, tá, e porque genérico? Porque não especificamos que: “a macarronada da minha mãe” é a minha preferida.
Pronto, sentido excludente! Ou seja, nenhuma outra entra no ranking, nunquinha na vida?

Puxa vida, Celi, não é bem assim.
Então tenha mais educação ao ditar a palavra preferido! Ela não é muito confiável…
Basta analisá-la pela ótica dos concursos…
Então, admire, goste, experimente… Mas preferido?
Sei não… E isto vale para tudo: pessoas, coisas, músicas, objetos, tudo!
Volúvel, muito volúvel…

Número dois:

LINDO

É um vício de linguagem nos dias atuais.
Dizemos lindo até para um grão de areia, e claro, ele pode até ser.
Eu também faço isto o tempo todo em diferentes contextos e situações.

Mas lindo, como adjetivo, é tudo aquilo que agrada aos olhos e ao espírito, conforme está no Aurélio. Para mim é o ápice da beleza. Depois de dizê-lo não há mais nada a acrescentar.
Mas até chegar nele podemos exercitar outros adjetivos, prosaica e poeticamente como belo, bonito, formoso.
Enquanto ele, só nos resta depois suspirar!
Ok, ok, continuarei viciada na palavra, já que me agrada aos olhos e ao espírito dizer…

Número três:

TRADIÇÃO

Canso de ver e ouvir a palavra tradição ou tradicional usada de uma forma equivocada.
Tradição é algo que se passa de geração para geração.
Num mundo hoje construído às pressas vale explicar que tradição indica secularidade e não anuidade.
Ah!… Desculpem aí os tradicionais de 20 ou 30 anos… É bom lembrar que estão formando ainda a geração que passará a “tradição” do seu ofício, evento ou quaisquer particularidades…
E sem comentários para os de menos idade ainda intitulados como tal.
Não se desesperem, trabalhem bastante!

Número quatro:

ADORAR

Virou moda dizer: ” – Adooooro!”
Melhor dizer o adjetivo ao verbo: “- Adorável!”
Adorar é um excesso de amor, amor que é excedente, transbordante!
Quem é que transborda este sentimento por um copo de champagne? Por um sapato? Carro? Roupas?
Você conhece alguém assim? Acho que não, não é? Verdade, pessoas assim não existem…

Adorar, no mais perigoso e desequilibrante sentido é quando se elege o verbo para vivê-lo dentro dos relacionamentos interpessoais…
Aquele que adora o relacionamento que constrói não consegue ter um relacionamento adorável!

Portanto, adorar é para o que é divino! Deixemos seu significado e sua expressão aos templos, porque, infelizmente, ainda percebo na Terra, neste nosso planetinha azul, uma porção de professores de Deus… Fora dos templos? Não, não. Fora da casinha mesmo!

Número cinco:

TIPO

Tem palavrinha mais resumida, explicativa, reflexiva, para substituir qualquer palavra?
Para entendê-la aqui vou tentar substituí-la pela palavra “exemplo” que poderá ser substituída por modelo, molde, sinal… Muitas variáveis…
Imaginem um diálogo do “tipo”:

” – E aí? Exemplo, assim, tudo bem?
” – Exemplo, tudo!”
” – Exemplo, assim, vamos dar uma volta?”
” – Exemplo, vamos. Exemplo, onde?
” – Ah! Exemplo, assim, pensei, exemplo, numa caminhada, exemplo bike! Que que cê acha? Assim, exemplo, tudo bem pra você?
” – Ah! Exemplo, tô ligado… Exemplo, valeu! Exemplo, achei legal!”
“- Puxa, exemplo, assim, pensei que você, exemplo, não ia curtir!”
” – Exemplo, tô ligado.”

Tipo é tudo, hein? Nem eu alcanço a amplitude de seu significado.
Depois dela, recolho-me à minha modesta insignificância abstrata em companhia do Aurélio.
Tipo é muito pra mim!

Fotografia: Alexandre Mazzo

O SOPRO DA VIDA

Olhar sempre, sentir sempre
 para nunca perder
 a essência daquilo que fui buscar…


The baker blows on the bread,
Moulin de Counil, Corrèze,
photo Jean Gabriel Marquis,
c. 1960











 






OS TRÊS LADOS DA MOEDA…

‎OS TRÊS LADOS DA MOEDA

Para avaliar algumas situações de conflito, um amigo me ensinou que existem três lados de uma mesma história: o seu, o meu e a verdade…

Conheço pessoas que julgam demais e estas para mim são as piores. Falam demais e esquecem que nascemos com dois ouvidos e uma boca para um propósito específico: ouvir mais e falar menos.
Não é novidade e nem é minha esta verdade.

A maturidade nos dá sabedoria e a prudência nos traz iluminação.

É natural, ao ouvirmos um amigo, um parente ou o cônjuge numa situação de conflito, tomarmos quase que de imediato o seu partido ou o partido da sua queixa.
Em algumas vezes sim, para dar apoio naquele momento, em outras para que possa apenas desabafar…
Mas em outras ainda é preciso pender a balança para o bom senso porque somos, na maioria das vezes, partidários das dores do outro e o exercício de conseguirmos apenas ouvir sem julgar indica que já estamos a caminho da luz!

Há sempre três lados em cada história para serem avaliados e cada pessoa interpreta a sua verdade de acordo com sua experiência. A nós, ouvintes, cabe sempre a prudência e o cuidado de ouvir sem julgar.

Cada um ao longo da vida constrói um mapa mental a partir de algumas referências, exemplos e experiências. Vamos desenhando caminhos, rotas e estratégias muito particulares para entrar ou sair de uma determinada situação, resolver um problema, encontrar uma solução.
Aprendemos sozinhos em alguns momentos, em outros observamos, buscamos orientações e, com ajuda ou não, traçamos nosso roteiro, fazemos nossas análises, tiramos nossas conclusões e cedo ou tarde resolvemos. Nessa ou em outra “encadernação”.

Com a experiência adquirida, construímos o mapa, pontilhamos nossas trilhas, acumulamos sensações e emoções que podem estar até hoje bem ou mal resolvidas. Serão elas a nos dar a versão do meu ou do seu lado da moeda.

O mapa mental é individual, feito com histórias de vida, lições aprendidas com mais, menos ou nenhuma dor, com crenças duais construídas desde o nascer sobre o certo e o errado, o bom e o ruim, o bem e o mal e valores morais e éticos que podem ser passados desde muito antes de nós e nos acompanhar por gerações.

O certo para mim pode ser o errado para você. O mal para você pode ser o bem para mim…O ruim que você vê ou sente pode ser um remédio para mim.
E assim, no questionamento destes princípios do que é para mim e para você começa o primeiro conflito.

Certo e bom para quem? Errado e ruim para quem?

Mapa mental é apenas o desenho que fiz com tudo o que vivo e vivi. E isto significa que terá pontos divergentes e diferentes do seu para ver, ouvir, sentir ou perceber uma mesma situação.

A maturidade nos dá sabedoria e a prudência nos traz iluminação.

Então, o que é certo e errado mesmo? E para quem?

Num simples ponto, num contraponto é preciso entender que nas divergências vividas por nós, simples mortais, mesmo que sejam três os lados da moeda ou, se preferir, de uma mesma história, a nossa visão de mundo ainda é muito estreita e se resume num único ponto: o ponto de vista, seja o seu, o meu  ou o da verdade.
😉

CADA UM É PARA O NASCE….





Em qualquer lugar que eu trabalhasse, embora eu, na maioria deles, gostasse das pessoas e daquilo que eu fazia… Quando via alguém numa mesma empresa, com exceção do dono, por anos ou uma vida toda eu não entendia…

Muitas vezes achava que era puro comodismo, era a espera da aposentadoria, ou medo de perder seus benefícios, ou de sair dali e não saber o que poderia fazer… Mesmo assim minha mente se inquietava com aquilo que eu via e ouvia…

O que será que faz com que esta ou aquela pessoa fique desenvolvendo uma mesma tarefa – ato continuum – por anos?
Por uma vida inteira muitas vezes amargando mau humor, boicotando chefias, pisando no calo dos outros ou por puro status quando adota o nome da empresa por seu sobrenome, por sua soberba, pelo aparente poder que ela lhe institui…

Em outras percebia algo estável, morno, conquistas planejadas, vitórias resolvidas e saciadas até ali.

Mas, um pouco adiante, ao contrário, encontrava pessoas onde alimentavam paixão, entusiasmo, luta, dedicação, nutriam alegria, felicidade por aquilo que desenvolviam. Um amor que, no fundo, eu sentia inveja, pois sentia-me longe de ter, com o perdão da expressão, este tesão pelo que faziam!
Para estas, meus olhos se voltavam, meus sentidos se aguçavam e uma curiosidade infinita me movia para tentar descobrir o que eu poderia fazer para sentir a mesma coisa!!

Intimamente, desde quando eu tinha meus 19, 20 anos, eu sentia que minhas realizações aconteceriam mais tarde, independente do que era e de como vinha, parecia uma voz que dizia: ” – Virá mais tarde…”
Mas, mais tarde quando, né? Nenhuma pista, nenhum sinal, quando?
” – Mais taaaardeee…!” Continuava esta vozinha assombrando meus planos…

Enfim, todas as vezes que ainda penso sobre o que me fez estar onde estou e trabalhando com pães:
“- Porque demorei tanto para encontrar este caminho?”
Lembro de um documentário que assisti há tempos onde conta a história das três irmãs cegas, de Campina Grande, na Paraíba, quando Maria (Maroca) disse:

” – A pessoa é para o que nasce”.
Por mais que eu tenha demorado para encontrar o meu caminho é só nisso que penso…
A pessoa é para o que nasce… 

http://www.tvzero.com/projeto/a-pessoa-e-para-o-que-nasce



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