A VALSA…

A VALSA…

Enquanto a noite escura lá fora adormece

eu danço com as estrelas.

Sorriso da noite na boca da lua

cintila o veludo do orvalho nas folhas

um beijo roubado embala no vento

a valsa suspensa no ar

 

AUTOANÁLISE



Não adianta correr atrás do prejuízo…
Quem corre atrás dele ficará sempre no vermelho.
Não adianta recuperar o tempo perdido…
Tempo é algo que não se recupera, já passou, esqueça, faça de novo, melhore o que já fez… RECOMECE quantas vezes precisar. Mude de ideia, de opinião, refaça o que não gostou e seja o que for faça com amor e alegria.
Não diga: ” preciso correr atrás disto ou daquilo” … Quem corre atrás nunca chega na frente!
Mas, saia na frente para realizar o seu sonho, seu projeto de vida, seu negócio, sua ideia…
Viva seu dia intensamente para que ele seja ainda melhor do que ontem, e não tenha medo de manter-se autêntico e de verdade, não se preocupe em ser melhor do que ninguém.
Lembre-se que toda corrida merece uma pausa para retomar o fôlego. Descansar, repor energias, atitudes salutares para o seu bem estar
Talvez você não consiga alcançar a maioria das coisas que pensou em ter ou ser, mas tenha certeza, que são nossos altos e baixos que nos mostram o caminho do equilíbrio e cedo ou tarde entendemos que nada é linear e aprendemos a nos descolar de qualquer julgamento para seguir em frente e simplesmente viver!
Faça perguntas importantes a si mesmo, daquelas que farão você tornar-se um ser humano melhor, onde estiver, onde for. Faça a diferença positiva na vida das pessoas. O mundo está cheio de gente chata, fofoqueira e intrigueira! Não seja mais um!
Cerque-se dos poucos amigos que tenham um sentimento honesto e leal por você, os outros não te farão falta nenhuma! Te garanto.
O que te faz feliz está ao seu alcance porque a felicidade é um MEIO de conduzir sua vida, não importa o que tenha, o lugar onde vive nem com quem esteja.
Aprenda que nada dura para sempre. Nem o sempre, nem o nada!
Mude a roupa dos seus sentimentos, doe, troque, adquira outros, compartilhe, curta! Renove seu guarda-roupa emocional!!
Se a tristeza te abater, lembre-se que o medo nos prende ao chão mas arrepender-se, não. Pense nisto!
Ajude, peça ajuda, contribua, enriqueça sua vida com tesouros que ninguém tirará de você!
Somos o que somos por conta da nossa trajetória, pelo que vivemos e aprendemos.
Eduque-se, melhore-se, faça a sua parte, o grão de areia que for, para tornar sua vida e a das outras pessoas melhor.
Ninguém vai decidir o que você precisa fazer.
Aprenda que qualquer tomada de decisão em sua vida é solitária, por mais que tenham mil palpiteiros à sua volta! Ela é única e exclusivamente sua, assim como as consequências também.
Assuma, assuma-se, tome as rédeas da sua vida!
Pare de achar justificativas para tudo! Quanto mais se justifica, mais se complica. Mais rejeição, mais vítima… Ou você acha que o mundo não percebe este joguinho?
Corajoso é o que reconhece o erro, é o que dá o primeiro passo em direção ao perdão ou ao autoperdão.
Corra sim, para resolver suas pendências, suas questões pessoais mal resolvidas, palavras amorosas não ditas, um favor que precisa ser feito a alguém.
Uma palavra, uma gentileza, pequenas delicadezas, coisas que não darão prejuízo, que o tempo a qualquer tempo dirá: ” – Só fazem bem!”

PALAVRAS…




Não adianta escrever ou dizer palavras bonitas
de apoio, se não o damos,
de amizade, se não a cultivamos,
de vida, se na intimidade derrubamos o ânimo e a esperança de um pai, mãe ou irmão.

Não adianta desenhar lindos versos de amor, 
se não o exercitamos com nossos pares,
de generosidade, se não a desenvolvemos,
de calma, se vivemos infernizando a vida de alguém…

De que adianta escrever sobre o respeito
quando furamos a fila, passamos no sinal amarelo e não temos a delicadeza para expor uma verdade doída aos ouvidos de outra pessoa.

Desnecessário colorir palavras de justiça e verdade
quando a ironia e a cupidez nos cerceiam no convívio mais íntimo desbancando a harmonia tão demorada a construir.

Palavras são fáceis de ser escritas ou ditas.
Podem manter-se amareladas ou desgastadas pelo tempo,
e assim mesmo lembradas, exaltadas, homenageadas…

Mas para vivenciá-las na “ponta do lápis” é necessário fazer uso do melhor apontador e se possível dar o exemplo.
Do contrário, serão apenas rabiscos quando escritas 
e quando ditas serão levadas pelo vento.

Férias em Caiobá…

Às vezes, sinto que  a solidão me abraça e me aparta dos que me são afins impedindo-me de conversas irmãs.
Sinto o eco de outras bocas, sempre no raso e nas superfícies.
Aquieto-me na borda e ouço à beira os assuntos sem articular…

Da prosa, abstraio-me e mergulho nos pensamentos distraídos da minha infância.
De volta, na orla da praia, Ana e eu no catar de conchinhas nas areias limpas e fofas de Caiobá.

Minha irmã e eu escavávamos a areia para fazer muros e castelos, enfeitados com conchinhas que havíamos acabado de buscar. 
Tinha conchinha em abundância em Caiobá e nós corríamos para pegar as maiores e mais lindas que conseguíamos carregar e voltávamos com as mãos cheias! 
Estávamos de férias, tínhamos todo o tempo do mundo!

Eu não queria ficar na sombra protegida por guarda-sol.
Queria o mar, sentir o sal da água na minha garganta.
A pele esturricada pelo sol fazia arder por longos três dias mas isto não me incomodava.
Eu queria brincar!
Minha barriga também ardia de tanto pegar “jacaré” com prancha de isopor… Delícia!
Deslizava nela até solavancar na areia onde a onda terminava!
De novo,  lá ia eu mar adentro com a prancha, domar outra onda, pegar outro “jacaré”!

Brincava, como brincava, até os olhos teimosos não aguentarem mais e fechar para dormir.

Na casa da praia, com fome de criança, só lembro do sabor daquela macarronada de molho vermelho com gosto de louro! Tia Marla era quem fazia… Onde será que ela está?

No quintal, os homens limpavam camarões, caranguejos e siris, mas também jogavam futebol.

Tinha árvore, tinha rede pra gente deitar depois do almoço e sentir o ventinho gelado nas costas  que batia nos ombros ardidos pela falta do filtro solar… Isto é muito moderno, na minha infância ainda não tinha… Mas o vento era refrescante…

Meus cabelos compridos ficavam ainda mais loirinhos e na praia, em fila, a pose de “miss” para a fotografia na ordem dos menores para os maiores feito escadinha.
Mulheres a postos! Um clique e pronto! Éramos “misses”!

A mãe usava touca de banho para proteger os cabelos, eu achava aquilo muito estranho e engraçado! Coisas da moda, coisas daqueles tempos!

Um barulho, uma risada, me traz de volta à tona… O barulho das bocas insossas me chama pra Terra…

E eu, devagar, olho para minha moldura de infância, despeço-me do balanço da rede e escuto apenas um sussurro das conchinhas no meu ouvido trazendo o barulho mar…

Sorriso nos olhos que fecham para abrir molhados de sal…

Fotografia: Plínio Rabelo

O Reverso…

Fotografia: Jaqueline Conte

Querida Rê,

tão reclusa aqui me sinto entre tropeços de linhas e avessos.
Sou senhora das minhas horas, do meu pulso e  do meu tempo.
Por fora o discurso retórico de estar tudo bem, mas por dentro o coração aperta na saudade de sentar em volta de uma mesa, ao som das vozes amigas para simplesmente tomar um café.

Barulho de horas tão raras que passam num vento feito asas de beija-flor.
Para fazer o quê? Sonhar acordada, meu amor…

Pois o céu, sem rédeas,  rabisca contorno de nuvens com estrelas de giz
e o dia se enfeita feliz feito lápis de cor.

Um beijo da Cê.