Aos que amamos















AOS QUE AMAMOS… Aos que sofrem, aos que precisam de uma palavra de carinho e conforto, aos que temos dificuldades de nos relacionar, aos afetos, aos desafetos, aos que somos ou nos sentimos inimigos… Aos irmãos do mundo uma mensagem de paz…

Hoje, quero que saiba o quanto você é importante para mim.
Quero que saiba que desde que me aceitou caminhar ao teu lado eu também me importo com você.
Quero que saiba que apesar de todas as tribulações que estamos vivendo eu não deixo de ver, ouvir ou sentir a tua preocupação, o teu entusiasmo e a tua alegria de viver.
Você faz a diferença na minha vida.
E todos os dias quando eu acordo peço a Deus que te abençoe e a tua família.
Eu sei e entendo que às vezes pode não parecer isto, mas creia, que do fundo do meu coração eu só desejo que você esteja bem e feliz.
Eu só desejo que você esteja em paz e faça do teu dia o melhor dia de todos.
Porque só assim eu poderei também me sentir feliz. 

Muito feliz.
Deus te abençoe.



EDUCAÇÃO CABE EM QUALQUER LUGAR…

Este texto foi escrito em fevereiro de 2011…

Mãe e pai, Natal de 2005 – fotografia: Alexandre Mazzo


Hoje pela manhã li um assunto que falava sobre cavalheirismo…

E ao escrever fui “trocar ideias” com meus botões  para continuar minhas conjecturas…

Lembrei das referências que tive e que deram-me base para o aprendizado na escola da vida… Melhor, a minha maior referência, ou deveria dizer reVerência…



O “seu” Gena.

Meu pai não possui o segundo grau completo. 

Quando eu era criança não havia um dia sequer de não vê-lo debruçado na leitura de um livro, jornal ou revista. 

Pergunte qualquer assunto, seja de que área ou atividade for, ele saberá conversar e expressar suas opiniões a respeito. 

Ele tem sempre uma piada ou uma história engraçada, um “causo”, dos muitos que ouviu e viveu para contar. 
Meu pai fará 73 anos, dos quais 62 foram dedicados à farmácia onde é proprietário e trabalha até hoje. 


Quando viajo até sua casa, tem sempre um doce, uma comida ou uma fruta diferente, que ele compra para me agradar. 
Sem contar nos muitos tucunarés congelados que ele me manda por sedex! 

Quando criança, ele desde cedo nos ensinou a não sermos inconvenientes, a não nos intrometermos em assuntos de adultos e me lembro até hoje do seu olhar de censura quando fomos visitar um amigo dele e da porta fui chamando: 

“- … ô Zé Baiano!” 

Vixi! O sermão que eu ouvi ali mesmo antes de colocar o pé dentro da casa: 
“- Como é que você chega na casa dos outros chamando a pessoa deste jeito?” 
“- E se a esposa não gostar que o chamem assim?”
… Ai, ai, ai… 
Dentro de casa eu ouvia o tempo todo meu pai referir-se a este amigo como o “Zé Baiano”, como é que eu poderia saber se a esposa dele não gostava disto?

Até hoje sinto a censura ao perceber que “exagerei” nas apresentações…
Ok, ok, haja terapia para resolver este “trauma do Zé Baiano” e outros nordestinos também!


E assim foi… “De bronca em bronca” e por conta do perfil comerciante de meu pai, aprendi a lidar com algumas pessoas, a respeitar o outro, a ser gentil… 

Quantas pessoas saem das universidades com títulos e MBAs capazes de preencher as paredes da sala da minha casa, que não é pequena, mas ficam em recuperação e alguns reprovam na disciplina “educação”…
Quantas vezes ouço mães com filhos na idade do meu Antonio preocupadas em preparar seus filhos para o mercado de trabalho, para o futuro… Mas eles só tem 9 anos! Puxa!

Deus, o futuro não me pertence…
Mas que eu não me descuide da educação do meu filho em nenhum momento, por favor, nem daquela ensinada na escola!

Vivemos na correria para tudo e esquecemos o básico: parar para educar nossas emoções. Cuidar, rever, abraçá-la como amor primeiro.
Educação de dentro para fora. Olhar-se, tratar-se, curar-se.

E trago à memória muitos exemplos do meu pai, dos meus avós e como diz Arnaldo Antunes “antes deles tantos antes de nós…” 

Para lembrar que a educação que escrevo aqui é aquela que vem de berço, não é comprada em prateleiras de supermercados ou nas grifes de lindas lojas nos shopping centers, não vem embalada em belas caixas com laços de cetim, não são os títulos conquistados ao longo da vida, a posição social e profissional conquistadas. Não. Não está fora, está dentro. Esta é a verdadeira educação. 
Há muito mais lixeiros, faxineiros e outros “eiros” educados do que doutores empertigados pelas ruas.

Educação, antes de tudo, é autoconhecimento, um exercício contínuo de humildade e superação, um esforço em vencer nossas más tendências e melhorar-nos todos os dias. 

A partir da minha casa, na infância, aprendi com os exemplos e atitudes dos meus pais. 
Via meu pai beijar minha mãe todos os dias ao chegar e voltar do trabalho, de nunca discutirem na minha frente ou de meus irmãos. 
O que trago hoje veio da  honestidade que ambos imprimiram-me à alma, dos valores morais e das responsabilidades que fui adquirindo em paralelo ao meu aprendizado escolar, das preciosas orientações e cuidados que tive dele e de minha mãe no decorrer da minha adolescência. Cada qual à sua maneira, do seu jeito.
Enquanto filhos, não podemos esquecer do quanto potencializamos o que apreendemos dos exemplos dos nossos pais e, da mesma forma,  assim faremos com os nossos filhos, ou com aqueles que nos observam e nos apontam como suas referências. É muita responsabilidade, não?

Acredito que a pessoa genuinamente educada poderá ser vista, como já mencionei, no lixeiro que todos os dias limpa nossas ruas e recolhe nossos dejetos. 
Na faxineira – anônima e a postos – nos supermercados e shoppings da vida onde nós distraídos displicentes vamos fazer nossas compras. 
A pessoa educada não apresenta os sintomas afetados de atitudes ensaiadas é da sua natureza ser gentil com as pessoas, com qualquer pessoa.
Tudo o que somos, começa dentro de casa, numa célula, a nossa pequena célula familiar. 
Nada se conquista ou se constrói sem esforço, tempo e ações conjuntas, um dia alguém já disse: o que educa cura, o que cura educa.






Mariana, Biscuit…

“Você é meu amor, você é minha vida, você é minha paixão e eu adoro você!”


Pequenininha, com cara de sapeca, cabelo enroladinho que parece “molinha de binga”, e garanto que nem sabe o que é isto…
Quando criança, minha irmã insistia em vesti-la de moleque…
E eu tirava fotos dela de todo o jeito. 
Quando nasceu, até as sobrancelhas eram vermelhas e a pele era branca como se fosse lavada com sabão em pó! Gorda, que parecia um pão cheio de dobrinhas. 
Quando dançava, rodopiava e batia só um pé no chão. 
Eu não sabia que dança era aquela, mas ela divertia-se até ficar zonza na sua brincadeira. 

Um dia, quando tinha 5 ou 6 anos, ao sair para passear com sua mãe,  preocupada em não me deixar sozinha avisou-me solene: 
” – Tia, eu vou falar com o seu  José para ficar com você!”…
Detalhe, seu José ao qual ela se referia, era o porteiro do prédio!  

Foto: Celi Mazzo


Era um “bisquizinho”. 
Passeava para lá e para cá balançando seus cachinhos e perdoe-me falar com tantos diminutivos, mas crianças fazem isto comigo.


Mariana hoje, aos 25 anos, é uma “pequena notável” !
Com a sua ajuda, um pouco antes do Natal, pude resolver uma das questões mais difíceis da minha vida.  
Emociono-me o tempo todo ao lembrar do que aconteceu e sou-lhe grata por isto. 

Biscuit, minha linda, nos riscos e rabiscos de nossas histórias de novo estamos mais próximas. 

Adoro prosear com você. 
Deixo aqui este pequeno registro do meu amor por você. 

Deus te abençoe, beijos, tia Celi.

P.S.: e você sabe o quanto estou chorando por aqui. 

DE VOLTA…e com o Ju!


Primos, primos, melhor não tê-los, mas se não tê-los como sabê-los. 
Ahhh…É, filhos…
Troquei de propósito e a propósito eu tenho primos que não acabam mais! 

Acho que já comentei que sou descendente de família de italianos, numerosa por si só, daquelas que meu pai tem 10 irmãos e minha mãe também!! 
Daquelas que não dá para fazer nada intimista, porque tudo vira um evento!

Ainda agora pude fazer uma contagem rápida e cheguei à uma pequena soma de 127 primos dos dois lados da minha família. 
Primos casados, filhos dos primos, agregados…
E incluo mais 10 somando a mim e meus irmãos com nossos cônjuges.
Ainda tenho os primos dos nossos pais que acabam sendo primos também de primeiro, segundo ou de contatos imediatos de terceiro grau. 
É de se perder em parentes…
É um mar de parentes que não tem fim!!

Mas hoje, atendendo às inúmeras cartas que não param de chegar, aos e-mails que não dou conta de responder, telefonemas sem fim me atormentando de perguntas, uma fila de fãs acampados na porta da minha casa, debaixo de chuva e frio que só faz aqui nesta terra, sim porque lá em Londrina é diferente,  vim escrever sobre um primo em especial…

E aí Ju?? 
Aguente que agora você terá seus 15 minutos de fama, pelo menos por aqui!!!

Juliano, este meu primo querido, moreno, alto, bonitão, administrador de empresas, sorridente até parece que faz comercial de pasta de dentes!! 

Putz, não me lembro a idade, mas deve estar perto dos seus 29?? 
É Ju? 
Se não for é por aí. 
Tá bom, tá bom…
Fui ver no seu “face” para ter certeza, e ai de mim se eu contar mentira aqui!

Então…
Sempre que começa a conversar ele usa esta palavra…
Então Cê…
A conversa mansa e calma, maduro para sua idade sim, não de agora, mas de antes. 
Bisneto de imigrantes italianos…

Empresário no ramo de confecções…(estou rindo sozinha aqui)
…Ok, ok, vou começar tudo de novo, vai, mas sem tirar uma vírgula da introdução, falou?

O Ju é destas pessoas que eu, mesmo na distância de nossas idades, quero ficar perto e espero que ele perto de mim. 


Quando vou à Londrina não dispenso nosso carteado onde ele, a Ana (minha irmã) o Du (irmão mais novo do Ju) e eu sentamos para montar as duplas dos bonitos contra os inteligentes…

Claro que eu e o Du somos os inteligentes, ainda mais agora que ele passou na OAB, uhuuu!! 
Ficaremos mais terríveis ainda com este reforço!!! 
Chega de aguentar esta dupla de bonitões. 
Ai que ódio!! 
Brincadeira, mas é assim mesmo! 
O bom é que passamos algumas horas rindo muito e só fico brava quando estou lá e não o vejo.

De tudo o que já existiu em nossa convivência vê-lo crescer, ir para faculdade, formar-se, viajar para os Estados Unidos, tentar viver em Nova York, voltar ao Brasil, assumir responsabilidades junto à família, tudo, tudo só fez dele uma pessoa melhor, todos os dias.

Ju, deixo aqui meu carinho, meu respeito e admiração por você. 
Torço pelo seu sucesso, está em minhas orações e no coração.

E para mim, quem é o Ju?
Acho que ele é meu primo-gêmeo, não tem alma-gêmea? 
Então, ele é meu primo-gêmeo!
Beijo, “ti loviu”!

Então, Ju…

SALVA…Salvador

Chegaram dois irmãos…
E Alexandre me perguntou qual eu queria.

Respondi que esperasse porque o “escolhido” nos escolheria.

E um deles correu quintal adentro, marcou território, foi e voltou algumas vezes e o outro ficou quietinho parado perto do portão.
Estava escolhido!

Chegou em casa com três meses de idade, lindo e ainda com os olhos azuis.
Andava engraçado, suas patas e orelhas eram enormes para o seu corpo.
“-E o nome??? “
Perguntaram Alexandre e Antonio, enquanto saiam para levar nosso hóspede ao veterinário…

Pensei um pouco e gritei:
“-Salvador! Depois explico porque!”
E os dois responderam:
“- Legal, gostamos!”
…E foram com ele para sua primeira consulta.

A história começa pelo menos há dez anos…quando eu estava em Bela Vista do Paraíso, cidade onde moram os meus pais.
Eu fazia compras, num sábado à tarde, no supermercado da cidade.

Fazia um calor enorme, daqueles que a gente tem no Norte do Paraná…

O sol já entrava porta adentro quando de repente, da rua, ouvi um barulho e um gemido.
Corri para ver o que havia acontecido e lá fora, prostrado no chão, um vira lata com a perna sangrando em fratura exposta…

Nem dá para dizer que mal consegui voltar para terminar as compras…

Recorri a uma amiga, Luana,  que de vez em quando recolhia animais de rua e os adotava para saber se poderíamos fazer algo por aquele cachorro que me comovia só de olhar.

Pegamos um carro, forramos de papelão, colocamos o cachorro nele e partimos às pressas para o hospital veterinário da UEL.
Pelo caminho,  conversávamos sobre qual seria o próximo passo para ajudar o bichinho…

Chegamos e fomos atendidas pelo Dr. Paulo Costa, meu amigo de crença e que na época dirigia o hospital.
Cuidou, fez curativos e por fim, depois de tudo feito,  aparece nosso maior dilema: quem e como cuidaríamos dele?

Luana me dizia que não havia como deixá-lo na sua casa porque já estava com “super-lotação”.
E eu, por minha vez, morava com meus pais naquele momento e eles viviam num apartamento…

Meu coração se apertou de um jeito que fui perguntar ao Paulo se o cachorro poderia ficar no hospital, se existia um canil para abrigá-lo…
E a resposta foi não, não existia e que não poderiam ficar com o animal.

Luana e eu nos entreolhamos e…Mais uma vez perguntamos ao Paulo:
“- E se o devolvêssemos às ruas, como seria?”
A resposta foi simples e seca:
“-Ele morrerá!”
“-E agora, Luana? Tanto esforço para que ele morresse?”

Pensamos, pensamos, pensamos…E o Paulo nos vendo naquela situação nos disse que havíamos feito o que estava ao nosso alcance…
As lágrimas já brotavam dos olhos da Luana e dos meus…
Nos abraçamos e decidimos sacrificar o vira lata pois a morte seria um destino certo.

Tá, tá…Não me venha dizer porque é que não pensamos nisto antes…
Na verdade não pensamos mesmo…putz!

Não tínhamos como acolhê-lo, nem levá-lo de volta para deixá-lo nas ruas…
Foi triste demais decidir por isto, foi doído, e olhem…Era um vira lata…E nós sofremos como se fosse um cão que nos acompanhasse por uma vida!

Por fim, decidido estava, decidido foi!
Mas pior que isto, quando fui chamada para fazer o registro, a ficha do animal, é…
Registro de autorização para a execução do bichinho…
Não bastasse a dor, ainda seria euzinha a responsável pela sua morte!

Ai…Quase morri também!

De novo a choradeira, fui devagar preenchendo a ficha daquele animal que eu acreditei estar salvando…
Um peso na consciência, uma dor no coração, senti-me a carrasca assinando aquele papel!

Entreguei a ficha para a moça que me devolveu perguntando:
” -E qual é o nome do cãozinho?”
Pensei…”Nome? Que nome vou dar para um bicho que mal conheço e que só tentei ajudar…E que agora por minha conta e risco estou despachando para o além?”

Pensei e escrevi na ficha prometendo a mim mesma que seria o nome do meu cachorro quando eu tivesse um…
Escrevi: SALVADOR…

Devolvi a ficha desolada e com a Luana voltamos em silêncio para casa.

Dez anos se passaram e quase esquecida a história me aparecem dois filhotes para que eu escolhesse um…

Salvador, Salva (na foto), como carinhosamente o chamávamos, viveu três anos conosco.
Morreu em junho de 2009 por causa de uma insuficiência renal.

Um cão dócil, lindo, estabanado e brincalhão e que, tenho certeza, ainda passeia entre nós no nosso quintal!

fotos: Alexandre Mazzo