O Bem

Hoje                                                                                                                                                      acordei com as estrelas                                                                                                                    para te desejar                                                                                                                                    um lindo dia de sol

 
 

Passou…

Foto: Alexandre Mazzo
 A noite entrou porta adentro
e  sem pedir licença…
Escureceu!

As Anas…

Foto: Alexandre Mazzo
AS ANAS
Ana mãe,
Ana irmã
Ana sobrinha,
Ana prima,
Ana vizinha,
Ana sozinha
Diana 
é Ana em dobro
Ana amiga
Ana sumida
Anas de longe
Anas perto de mim
Ana que nasce
Ana que cresce
Ana que brota em
Mariana
Giuliana
Rosana
Ana começo
ou Ana no fim
Ana botão
Ana em Flor
Ana  é Rosa
Anas às pencas
Anas aos maços
Anas aos cachos
Anas 
que amo
Anas 
 renascem 
Anas 
florescem 
no meu jardim.

O Sal







Foto: Alexandre Mazzo

Saí,
fui buscar o tempero da vida.



O Besouro da Capa Dourada e Coroa de Esmeralda (um pequeno conto)

Besouro Lamprocyphus augustus, espécie nativa do Brasil.
[Imagem: Jeremy Galusha]
Foi numa noite de dezembro de 98,
em Londrina,
na casa da tia Dirce,
quando esta historinha aconteceu…
O Besouro da Capa Dourada e Coroa de Esmeralda
(para o meu amigo Beto Maran)
Zzzzzzzzuuuummm!

Passou o besouro pela minha cabeça caindo de pernas pro ar em cima da mesa!
E como se fosse um acrobata, segurou-se em suas longas pernas posteriores e zump!
Virou-se majestoso exibindo sua roupa dourada e sua coroa de esmeralda.
Até pensei em ajudá-lo, pois vivo ajudando besouros e outros bichos a desvirarem-se, mas qual o quê!
Desta vez vi-me vencida por este pequeno inseto de seis patas que foi muito mais rápido do que eu.
Parei o que estava fazendo a fim de observá-lo.
Ele se movimenta de lado, fazendo uma circunferência, um círculo em si mesmo e não sai do lugar. Pensei que naquele momento eu também estava me sentindo igual a um besouro.
E o besouro muda apenas a direção do seu nariz, se é que ele tem um, não é? Por que será?
Talvez para pegar impulso e voar.
Ou apenas fazer uma pequena pausa para descansar de um loooooongo voo.
Ou até mesmo refazer-se do susto que me deu, o que seria mais provável.
Será que insetos também dormem?
Será que é um filhotinho e está perdido?

Ou será que os besouros de capa dourada e coroa de esmeralda são desgarrados da família e preferem reinar sozinhos?
Quantas histórias ele teria para contar?
Quantas casas visitou e quantas pessoas diferentes ele conheceu?
Indiferente aos meus questionamentos, lá vai ele, esticando uma de suas pernas como uma bailarina que se prepara para dançar, aquecendo-se em seus exercícios para alçar voo.

Fixo o meu olhar e pairo sobre ele e o confundo com os desenhos da toalha de mesa que combinam com o besourinho.
Ah! Claro! Foi por isto que ele escolheu esse lugar para pousar.
Por quanto tempo ainda ficará parado ali?

Eu, tentando uma aproximação:
” – Oi, senhor Besouro. O senhor quer conversar?
Como é seu nome? De onde vem?
Posso ajudá-lo em alguma coisa?”

E você acha que ele respondeu?
Humpf!… Nem me deu atenção!
Além de tudo é orgulhoso e eu detesto insetos orgulhosos.

Tudo bem, continuarei a ler minhas filosofias enquanto o senhor aí decide o que quer fazer.
De qualquer modo, seja bem-vindo ao meu ambiente.
E não me importo com o susto que me deu.
Já que não quer conversar sobre nada, faremos companhia um ao outro.

Mas ainda insisti:
“- Está uma noite muito quente, o senhor não acha?
E há prenúncios de chuva… Senhor Besouro, o senhor também sente o cheiro de terra molhada no ar?
Humm, humm, eu sinto. O senhor sabia que são poucas as pessoas  que sentem?
Ou param para senti-lo?
As pessoas se esquecem de muitas coisas, o senhor não acha?
E os insetos?
Eles esquecem também?”
Nada.
Ele não respondeu nada.
Será que preciso buscar meu dicionário de besourês para conversar com o senhor?
O meu de português-insetês-insetês-português está emprestado; é um dicionário mais completo, mas, Borboleta-Violeta passou por aqui outro dia e o levou.

Hein, senhor Besouro?
É, acho que além de orgulhoso ele deve ser surdo.
Tento dar um sopro nele, pppfffff….
E espero para ver o que vai dar…. Aff!
E sabe o que ele faz?
Sim-ples-men-te, estica lentamente suas pernas e só!
Continua paradinho, quietinho, no mesmo lugar.
Acho que ele está com sono mesmo!

Na toalha da mesa onde ele pousou tem um desenho assim:

E o besourinho parece que enfeita a coroa de um rei.
E estende-se majestoso, abrindo sua capa dourada e reluzindo sua coroa de esmeralda.
Será que ele parou por ali para cumprir uma missão?
Por quanto tempo esteve voando à procura de um rei para enfeitar?
Pode ser também que ele nunca mais saia dali.
Será que foi para isso que ele veio: para enfeitar a coroa do rei?…

Fiquei a me imaginar naquele besourinho.
O quê eu faria se tivesse uma capa dourada, uma coroa de esmeralda e pudesse voar?

Para onde eu iria?
Que histórias eu contaria?

Talvez, cansada de tantas viagens eu pudesse, por fim,  passar num zzzuuummm pela sua cabeça e cair de pernas para o ar, na mesa da sua casa, na sala de jantar e, com certeza, valente eu esperaria para ver sua reação.
Você até poderia me fazer as mesmas perguntas e ter as respostas que eu não tive, dependeria do meu humor, é claro!
Mas, se preferir ficar calado, mesmo que seja em pensamento, vou tentar com o meu silêncio saber te ouvir.
Porque no fundo, todos nós procuramos ter um pouco da capa dourada e da coroa de esmeralda para poder voar até encontrar o nosso próprio rei.





 





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