O SOPRO DA VIDA

Olhar sempre, sentir sempre
 para nunca perder
 a essência daquilo que fui buscar…


The baker blows on the bread,
Moulin de Counil, Corrèze,
photo Jean Gabriel Marquis,
c. 1960











 






OS TRÊS LADOS DA MOEDA…

‎OS TRÊS LADOS DA MOEDA

Para avaliar algumas situações de conflito, um amigo me ensinou que existem três lados de uma mesma história: o seu, o meu e a verdade…

Conheço pessoas que julgam demais e estas para mim são as piores. Falam demais e esquecem que nascemos com dois ouvidos e uma boca para um propósito específico: ouvir mais e falar menos.
Não é novidade e nem é minha esta verdade.

A maturidade nos dá sabedoria e a prudência nos traz iluminação.

É natural, ao ouvirmos um amigo, um parente ou o cônjuge numa situação de conflito, tomarmos quase que de imediato o seu partido ou o partido da sua queixa.
Em algumas vezes sim, para dar apoio naquele momento, em outras para que possa apenas desabafar…
Mas em outras ainda é preciso pender a balança para o bom senso porque somos, na maioria das vezes, partidários das dores do outro e o exercício de conseguirmos apenas ouvir sem julgar indica que já estamos a caminho da luz!

Há sempre três lados em cada história para serem avaliados e cada pessoa interpreta a sua verdade de acordo com sua experiência. A nós, ouvintes, cabe sempre a prudência e o cuidado de ouvir sem julgar.

Cada um ao longo da vida constrói um mapa mental a partir de algumas referências, exemplos e experiências. Vamos desenhando caminhos, rotas e estratégias muito particulares para entrar ou sair de uma determinada situação, resolver um problema, encontrar uma solução.
Aprendemos sozinhos em alguns momentos, em outros observamos, buscamos orientações e, com ajuda ou não, traçamos nosso roteiro, fazemos nossas análises, tiramos nossas conclusões e cedo ou tarde resolvemos. Nessa ou em outra “encadernação”.

Com a experiência adquirida, construímos o mapa, pontilhamos nossas trilhas, acumulamos sensações e emoções que podem estar até hoje bem ou mal resolvidas. Serão elas a nos dar a versão do meu ou do seu lado da moeda.

O mapa mental é individual, feito com histórias de vida, lições aprendidas com mais, menos ou nenhuma dor, com crenças duais construídas desde o nascer sobre o certo e o errado, o bom e o ruim, o bem e o mal e valores morais e éticos que podem ser passados desde muito antes de nós e nos acompanhar por gerações.

O certo para mim pode ser o errado para você. O mal para você pode ser o bem para mim…O ruim que você vê ou sente pode ser um remédio para mim.
E assim, no questionamento destes princípios do que é para mim e para você começa o primeiro conflito.

Certo e bom para quem? Errado e ruim para quem?

Mapa mental é apenas o desenho que fiz com tudo o que vivo e vivi. E isto significa que terá pontos divergentes e diferentes do seu para ver, ouvir, sentir ou perceber uma mesma situação.

A maturidade nos dá sabedoria e a prudência nos traz iluminação.

Então, o que é certo e errado mesmo? E para quem?

Num simples ponto, num contraponto é preciso entender que nas divergências vividas por nós, simples mortais, mesmo que sejam três os lados da moeda ou, se preferir, de uma mesma história, a nossa visão de mundo ainda é muito estreita e se resume num único ponto: o ponto de vista, seja o seu, o meu  ou o da verdade.
😉

CADA UM É PARA O NASCE….





Em qualquer lugar que eu trabalhasse, embora eu, na maioria deles, gostasse das pessoas e daquilo que eu fazia… Quando via alguém numa mesma empresa, com exceção do dono, por anos ou uma vida toda eu não entendia…

Muitas vezes achava que era puro comodismo, era a espera da aposentadoria, ou medo de perder seus benefícios, ou de sair dali e não saber o que poderia fazer… Mesmo assim minha mente se inquietava com aquilo que eu via e ouvia…

O que será que faz com que esta ou aquela pessoa fique desenvolvendo uma mesma tarefa – ato continuum – por anos?
Por uma vida inteira muitas vezes amargando mau humor, boicotando chefias, pisando no calo dos outros ou por puro status quando adota o nome da empresa por seu sobrenome, por sua soberba, pelo aparente poder que ela lhe institui…

Em outras percebia algo estável, morno, conquistas planejadas, vitórias resolvidas e saciadas até ali.

Mas, um pouco adiante, ao contrário, encontrava pessoas onde alimentavam paixão, entusiasmo, luta, dedicação, nutriam alegria, felicidade por aquilo que desenvolviam. Um amor que, no fundo, eu sentia inveja, pois sentia-me longe de ter, com o perdão da expressão, este tesão pelo que faziam!
Para estas, meus olhos se voltavam, meus sentidos se aguçavam e uma curiosidade infinita me movia para tentar descobrir o que eu poderia fazer para sentir a mesma coisa!!

Intimamente, desde quando eu tinha meus 19, 20 anos, eu sentia que minhas realizações aconteceriam mais tarde, independente do que era e de como vinha, parecia uma voz que dizia: ” – Virá mais tarde…”
Mas, mais tarde quando, né? Nenhuma pista, nenhum sinal, quando?
” – Mais taaaardeee…!” Continuava esta vozinha assombrando meus planos…

Enfim, todas as vezes que ainda penso sobre o que me fez estar onde estou e trabalhando com pães:
“- Porque demorei tanto para encontrar este caminho?”
Lembro de um documentário que assisti há tempos onde conta a história das três irmãs cegas, de Campina Grande, na Paraíba, quando Maria (Maroca) disse:

” – A pessoa é para o que nasce”.
Por mais que eu tenha demorado para encontrar o meu caminho é só nisso que penso…
A pessoa é para o que nasce… 

http://www.tvzero.com/projeto/a-pessoa-e-para-o-que-nasce



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http://www.gazetadopovo.com.br/blogs/diario-de-antonio/

SABIÁ DE LUZ

 

Domingo preguiçoso e ensolarado. 
Resolvemos tirar nosso dia para organizar algumas coisas em casa e receber amigos para um almoço.

Ainda na cama, relutava em levantar dizendo a mim mesma: ” – Só mais um pouquinho…”
Alexandre levantou-se e voltou a deitar avisando-me que tínhamos muitas coisas para fazer e eu pedi: 
“- Mais dez minutinhos…” 

Começou a resmungar que tínhamos que fazer isto, ir no mercado…E eu: “Dez minutinhos, shhhh…”

Meia hora ou um pouco mais havia passado, levantamos, nos trocamos e enquanto eu continuava a me espreguiçar veio ele me chamar dizendo: 

 
” – Amor, venha ver um sabiá de luz, corre!” 


Ele caminhou na direção da minha oficina, onde produzo pães.
Segui-o até lá e fiquei olhando para fora, pela janela, tentando encontrar um passarinho branco, ou qualquer coisa parecida achando que fosse uma brincadeira. 

Ele me segurou e me virou para olhar a parede…
Qual não foi minha surpresa ao olhar para o sabiá de luz que ele me falou.

De manhã bate sol na minha oficina…

O sol, reflete na minha bancada, que é de inox, e projetou uma linda imagem na parede muito parecida com um sabiá laranjeira. 

Tem muitos deles pululando no meu quintal e bicando a ração do Ernesto… Alguns estão bem gordinhos por conta deste saque desautorizado.

Mas este sabiá foi o mais inesperado de tudo o que eu poderia imaginar. 
A imagem projetou-se da bancada sem nenhum artifício, a não ser a luz do próprio sol! 

Depois da surpresa, corri compartilhar a imagem com amigos, irmãs, sobrinhos, porque acreditei numa mensagem de paz.

Mara, minha prima, postou um comentário que me emocionou:

…se você tivesse pedido a Deus um sinal, jamais imaginaria que seria algo tão lindo! 
Pois é, Deus fala com a gente de diversas formas e acredito que ele escolheu uma espetacular para te deixar um recadinho…Ele deve estar te dizendo : ” Celi, eu te amo, você é uma das minhas criaturas preferidas”….certeza!

Obrigada pelo carinho, Mara. 
Se sou uma de suas criaturas preferidas não sei, mas o recado estava ao alcance do meu entendimento e de minhas mãos.

Deus nos fala de muitas formas, é verdade, creio nisto e a melhor delas é quando vem assim, suave, delicada, sem sustos, apenas um sussurro maravilhoso afirmando para que eu confie e que Ele está o tempo todo por perto, feito um passarinho!

Como já escrevi antes: 

Divido este presente com todos vocês e, assim como me senti, sintam-se também abrigados nas asas deste lindo sabiá, um sabiá de luz!









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Bom dia Cotovia!

Um pouco antes das seis da manhã, Londrina riscava um céu carmim para me dar bom dia!
De dentro para fora, olhei da janela um passarinho que pousava delicadamente no fio de alta tensão.
Rápido chegou, rápido se foi.

Ao longe o céu vermelho, que tantas vezes assisti em nascer ou por de sol, espreguiçava- se majestoso empurrando as nuvens de chuva na tentativa de me dar um tempo a mais para apreciá-lo. Um presente!

Saudades da minha terra de céu de aquarela!
Saudades do calor daqui.

Meu dia começava com uma pintura pincelada num instante para mim…
Ontem e hoje, o calor de um abraço, o reencontro de corações e carinho para encher meus potinhos.
‘’- Como não gostar de estar aqui? ‘’

Murmurei feliz!

Sobrinhos à minha volta, família que eu quero tanto, risadas, conversas, barulhos de casa viva!
Amigas e amigos que não via há tempos, lembranças reavivadas, conversas para não terem fim…

Num instante, O vento entra sem bater e traz o cheiro de terra molhada…
Aproximam-se os tons densos de cinza para mudarem o meu céu escarlate.
Nuvens enormes espalham seu véus com suavidade, prenúncios da chuva anunciada.
Num instante a água retorcida estalada por um trovão transborda pelas ruas e quintais.
Revela-se no telhado em doce melodia de fazer dormir.

Dei um suspiro…Feliz!


 

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