PENSAMENTO…

 
 
 
Branca parede
enche meus olhos de cor 
convida a bailar 
a valsa das letras
Um passo, 
uma pauta,  
Uma pausa
Leves dançam, 
riscos breves
a doce valsa

 

PASSAGEM…

Fotografia: Alexandre Mazzo

reviro 
palavras,
momentos
paisagens

Ardem
as órbitas 
gastas e míopes
limpas de lágrimas
E sal

Turvam
miragens
Ensaiam vertigens
da próxima
estação

ATEMPORAL









Sou filha de um outro tempo
Viajo nas asas da pressa
mergulho, serpeio,
espalho sementes em prosa
na espiral do firmamento





A VALSA…

A VALSA…

Enquanto a noite escura lá fora adormece

eu danço com as estrelas.

Sorriso da noite na boca da lua

cintila o veludo do orvalho nas folhas

um beijo roubado embala no vento

a valsa suspensa no ar

 

PALAVRAS…




Não adianta escrever ou dizer palavras bonitas
de apoio, se não o damos,
de amizade, se não a cultivamos,
de vida, se na intimidade derrubamos o ânimo e a esperança de um pai, mãe ou irmão.

Não adianta desenhar lindos versos de amor, 
se não o exercitamos com nossos pares,
de generosidade, se não a desenvolvemos,
de calma, se vivemos infernizando a vida de alguém…

De que adianta escrever sobre o respeito
quando furamos a fila, passamos no sinal amarelo e não temos a delicadeza para expor uma verdade doída aos ouvidos de outra pessoa.

Desnecessário colorir palavras de justiça e verdade
quando a ironia e a cupidez nos cerceiam no convívio mais íntimo desbancando a harmonia tão demorada a construir.

Palavras são fáceis de ser escritas ou ditas.
Podem manter-se amareladas ou desgastadas pelo tempo,
e assim mesmo lembradas, exaltadas, homenageadas…

Mas para vivenciá-las na “ponta do lápis” é necessário fazer uso do melhor apontador e se possível dar o exemplo.
Do contrário, serão apenas rabiscos quando escritas 
e quando ditas serão levadas pelo vento.