VAI FICAR TUDO BEM

Há momentos em que nós nos fechamos no luto da perda. Seja ela física ou emocional. Tempos difíceis para corações partidos e almas rasgadas. Nos fechamos no choro e na dor, no tempo que não passa, na indagação dos inúmeros porquês e na esperança em fio de que tudo um dia ficará bem. Nos esgotamos, nos exaurimos. Não há energia sequer para estendermos o corpo e receber um abraço. Queremos que o tempo volte, que ele pare!Em meio a essa confusão, ficamos perplexos em nos darmos conta de que a vida segue sem se importar com o que estamos sentindo. E nas conversas com Deus começamos a colocar condições e exigir explicações. Por quê?!Muitas vezes nos cobramos ou nos culpamos e experimentamos um mergulho em companhia das nossas mais profundas reflexões.

Passamos por imersões na tristeza e, por um período, ancoramos na depressão mesmo tendo o barulho carinhoso das vozes amigas à nossa volta, mesmo na presença amorosa e bendita dos nossos mais próximos.
Sim, é um tempo silencioso, introspectivo, escuro, pesado e dolorido. E não importa se ele será curto ou longo, todos passaremos por ele.Alguns culparão o mundo e os céus, outros seguirão resilientes no aprendizado consciente de que tudo passa e se transforma naquilo que deixarmos ser, em dor ou amor. Intimamente, nunca mais seremos os mesmos. A mudança está feita e a vida pede espaço para seguir seu curso. Ainda exaustos para continuar, buscamos sentido no que mais acreditamos: Deus, família, filhos, qualquer coisa que realmente valha a pena em meio a esse emaranhado de emoções. Nos apegamos com todas as forças até conseguirmos respirar, tomar fôlego e dar as primeiras braçadas para fora deste enorme mar de lembranças e afetos rompidos, deste complexo mar da inexistência. Sente-se.Respire.Sei e entendo perfeitamente que o olhar se perde no inimaginável futuro, mas mantenha-o firme e para frente. Aos poucos, retome a vida mesmo se sentindo frágil. O tempo, e só ele, te dará a condição necessária para SE ressignificar, tudo muda e tudo passa. Por mais que pareça, você não está só🪷. Confie. Vai ficar tudo bem.

DOR

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O grito não cabe entre os dedos

cabe no aço do vento

no fio da lâmina de um pensamento…

📷Alexandre Mazzo

Mães em mim

Sou grata pela minha mãe e por conviver com algumas mulheres que se fizeram mães e exemplos no meu caminho.
Sou grata por serem mães em mim.
Amo-as todas, cada uma à minha maneira de sentir esse amor… Delas sinto falta, delas aquieto meus olhos em uma gostosa saudade.
Sou a que me deu a vida e ajudava-me nas tarefas da escola, “desencardia-me” da terra vermelha depois de tanto brincar e que ainda divide a prosa e histórias comigo na varanda da sua casa.
Sou a que me levava para viajar entre serras e mares, entre bosques e passeios de charrete e nos protegia de ladrões colocando um monte de cadeiras na porta do quarto de um hotel numa cidadezinha onde ficamos hospedadas…
Sou a que me ensinou sobre generosidade, a mãe sorriso, que acolhe a mim e à família toda num coração maior que o mundo.
Sou a que me levava para passear todos os domingos depois da missa, na avenida empoeirada e sem asfalto de Primeiro de Maio, com a brasília azul do meu avô e me inspirou a aprender dirigir… Como eu a achava linda e corajosa!
Sou a que me acolheu em sua casa para eu estudar, deu-me responsabilidade, depositou em mim confiança e ensinou-me a “fórmula” para passar um bom e forte café que perfuma minha cozinha todas as manhãs.
Sou a que se preocupava comigo quando fosse chover ou fazer frio e me ensinou sobre o quanto é importante ser simples nesta vida.
Sou a que ama rosas amarelas e me ensinou a falar num outro idioma convivendo com uma família divertida e barulhenta. Por ela veio um presente para começar a ser gente grande: meu primeiro emprego!
Sou a que me fez acreditar na alma padeira que pulsava ainda sem rumo certo, que me ensinou a ser mais forte em meio a lembranças de infância contadas no nosso afetuoso quintal.
Sou a que se fez mãe para encorajar-me a superar um problema, uma mágoa, uma dor e ensinar-me sobre o perdão.
São lindas e fortes essas mulheres. São minhas referências profundas, enraizadas num coração que bate por elas todos os dias ao dormir e ao acordar.
São amores vivos, são mães. Sou grata, amo vocês.

(Para Ana, minha mãe, Tia Darcy, Tia Dirce, Tia Conceição, Tia Maria José Anizeli Favarão, Tia Davirce, Mãe Gabriela Levatti, D. Vera Maria Biscaia Vianna Baptista,Tia Virgínia De Fátima Anizelli Pereira)
Fotografia: Celi Anizelli

Lembranças…






Sempre acreditei que deveríamos fazer um caminho de volta para casa. 

Fazer pães devolve-me a lembrança da casa dos meus avós, de ver minhas tias preparando as comidas de domingo, de ouvir o apito da oficina onde meu avô trabalhava chamando para o café da tarde. 

Nunca me sinto sozinha quando amasso meus pães. 
Com as mãos vou moldando as melhores lembranças e do forno sai um futuro sorridente em cada pão.
Para mim, fazer pães é mais que desmanchar uma receita é colocar neles sua alma e coração.









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publicado no jornal virtual Gazeta do Povo
 

 

Oração

Pai querido,
abençoa nosso dia, nossa família e nossa casa. Que a fé e a esperança sejam sempre renovadas em nossos corações. E que o Senhor possa estar no coração daqueles onde não alcançamos chegar. Que sempre haja um propósito maior, um aprendizado, naquilo que ainda precisamos corrigir em nós ao lidarmos com nossos problemas e aflições. Da mesma forma, que possamos sentir Tua presença naquilo que fizermos em benefício do próximo, em benefício da paz e da unidade desse nosso lindo planeta. Abençoe cada um de nossos irmãos com o Teu alimento de amor. E deixe em todos nós o Teu sopro de vida. Que assim seja.