Um fio…
Ao nascer, todos recebemos um fio de vida.
Um fio para juntar contas preciosas, pérolas, pedras de muito valor, tesouros que passam por esse fio durante toda a nossa vida. Pessoas, lugares, alegrias, tristezas que nos amadureceram, nos mudaram, formam contas que contam as histórias que nos fizeram ser quem somos hoje. Num fio, apenas num fio.
Uma vida longa nos dará a oportunidade de termos um fio ou um colar de muitas voltas.
Voltas pelo mundo das nossas descobertas mais íntimas e valiosas. Voltas de todas as experiências, dores e amores vividos, aprendidos, fermentados na alma e no espírito..
Ao mesmo tempo e cada qual no seu tempo, vamos selecionando as contas das tantas voltas, deixando ir o que não mais nos cabe, deixando ficar aquilo que verdadeiramente importa. Ao final, o fio se encurta, as contas se juntam e ele se torna pequeno e de uma só volta, porém, forte e resistente para levá-lo com leveza a qualquer parte neste ou em e outro tempo, sem nenhuma restrição, sem medo que seja tomado ou roubado por alguém, algo tão exclusivo que não caberá nas voltas de mais ninguém.
Assim, no outono da nossa despedida, moços ou velhos, aprendizes ou mestres, levaremos apenas o que mais nos tocou, transformou, deixou marcas indeléveis durante nossa caminhada.
Um fio, somos apenas um fio cheio de histórias de vida.
(Celi Anizelli)
