A gente muda, o tempo muda, as pessoas mudam. Como cantava Mercedes: “- Todo cambia!” Também eu, em meio a questionamentos que a boa filosofia me aplica, mudei. E tudo o que vivo é intenso. Para mim é e sempre será. E sinto muito se eu te assusto por isso.
Às vezes o intenso é de alegria, às vezes decepção ou tristeza, em outras, a boa surpresa, a boa notícia, um encontro inesperado com um velho amigo renovando sentimentos e a eterna e bela sonoridade da canção: “Todo cambia”. Paro, olho, sinto, mudo e sigo. Ao longo da vida carregamos muitas coisas desnecessárias e sem valor, não é? Hoje, para continuar essa viagem, só cabe o que de verdade importa e tem consistência.
De cara lavada Não sou nenhuma pintura deslumbrante Que bom poder ser assim, in natura Em casa
Nos braços, as marcas de queimaduras dos muitos pães que tirei do forno. Carimbos na alma pra não esquecer Histórias vividas intensamente Uma bela caminhada
Aprendendo a viver das coisas simples Aprendi a ter orgulho de mim mesma Não o orgulho presunçoso Mas consciente por me sentir mais forte Para chegar aqui
De repente, mais uma mudança!
E a vida me leva para meu porto de origem Meu ponto de partida Um porto seguro? Não sei Talvez para aprender algo importante Talvez apenas para ser daquele lugar E virar semente
Só conseguiremos nos livrar do desconforto que algumas situações nos provocam quando conhecermos a razão pela qual tal desconforto acontece. Neste ponto a “ficha cai” e a partir daí surge a mudança e inicia-se nosso processo de cura.
O que escrevo não é novidade. Tal conselho foi dito por um Mestre da antiguidade e muito conhecido pela maioria de nós, Jesus.
Um fio… Ao nascer, todos recebemos um fio de vida. Um fio para juntar contas preciosas, pérolas, pedras de muito valor, tesouros que passam por esse fio durante toda a nossa vida. Pessoas, lugares, alegrias, tristezas que nos amadureceram, nos mudaram, formam contas que contam as histórias que nos fizeram ser quem somos hoje. Num fio, apenas num fio.
Uma vida longa nos dará a oportunidade de termos um fio ou um colar de muitas voltas. Voltas pelo mundo das nossas descobertas mais íntimas e valiosas. Voltas de todas as experiências, dores e amores vividos, aprendidos, fermentados na alma e no espírito..
Ao mesmo tempo e cada qual no seu tempo, vamos selecionando as contas das tantas voltas, deixando ir o que não mais nos cabe, deixando ficar aquilo que verdadeiramente importa. Ao final, o fio se encurta, as contas se juntam e ele se torna pequeno e de uma só volta, porém, forte e resistente para levá-lo com leveza a qualquer parte neste ou em e outro tempo, sem nenhuma restrição, sem medo que seja tomado ou roubado por alguém, algo tão exclusivo que não caberá nas voltas de mais ninguém.
Assim, no outono da nossa despedida, moços ou velhos, aprendizes ou mestres, levaremos apenas o que mais nos tocou, transformou, deixou marcas indeléveis durante nossa caminhada.
Um fio, somos apenas um fio cheio de histórias de vida.
A vida, os ciclos que se abrem e fecham, pessoas que passam e nos ensinam. É uma ciranda de enorme aprendizado
Em especial quando adoecemos, ou passamos por algo que achamos que não terá solução, percebemos quão frágeis nós somos e o quanto tudo é efêmero, tudo passa rápido demais!
No estágio do problema, seja ele sério ou menos sério, onde nos encolhemos para refletir sobre o que de verdade importa, minhas questões sempre são: – estou fazendo todo o bem que posso? O que foi de bom que consegui contribuir para esse meu pequeno universo? Consegui ser um bom ser humano? Faço falta? Posso ir embora desse mundo agora? Porque a sensação de inutilidade pesa, entende?
Mas passa…
A saúde volta, o problema se resolve, o centro perdido é encontrado e a vida se apruma no rumo que deveria seguir. Por mais que demore, tudo passa.
Há muitos lugares que eu gostaria de conhecer, pessoas para abraçar e rever, conversas que poderiam ser intermináveis e alegres sobre a vida! Sobre essa riqueza que é a vida.
No fundo, no meu esforço autoconsciente sobre a mudança que quero ser, vou imersa nas minhas lembranças abraçando um por um dos meus amigos, amores, familiares…
E viajo sempre, abraço sempre, converso sempre em pensamento com os meus mais queridos que muitas vezes não se fazem presente, mas são. Aqueles que nem o tempo ou qualquer “encadernação” apaga. Seja ao ouvir uma música, um lugar que passo, no tempo de sol ou de chuva… No momento do pãozinho com café, na solitude ou na solidão.
A roda vai girando em cada encontro ou ponto que a lembrança para! Experimente, é lindo demais!
Minhas memórias são meus melhores afetos e me banho dessa energia todos os dias sem nenhum pudor ! São momentos onde tomo para mim os tesouros mais preciosos. Uma riqueza inimaginável!! Por isso, por tudo isso!
Nem sempre estou lúcida sobre tamanha riqueza, há momentos de deserto e escuridão também, e eles acontecem num estalar de dedos…
Mas passam.
Oscilo, destempero, retomo, respiro, agradeço, peço ajuda a Deus, a Jesus, a Yogananda, ao universo, aos anjos, guias e arcanjos, aos elementais, aos lindos orixás, aos azuis arcturianos, aos seres de outros planetas, e sigo…
De pernas tortas, nem sempre firmes, mas sigo.
Por isso, por tudo isso…teu amor amigo me alimenta a alma e me faz seguir em paz pela certeza que tenho de saber o que ele é para mim.