ÁRVORE

Não vou a lugar algum,
Feito árvore, finco raízes no chão.
No abraço, passeio em mil galhos,
Protejo, dou sombra, acolho.
Paciente, espero o assovio do vento,
Apuro ouvidos, sentidos e tato,
Recolho-me em quartos de outonos minguados.
Silencio para o balanço das vozes,
São folhas amigas que ouço,
Vieram contar-me histórias!
Enchem o ar de suspiros, sonhos e planos,
Sussurram-me pequenos segredos,
Tornam-se cúmplices neste fio de tempo.
Aos poucos e à força, haurem dos galhos,
Dão-me um último adeus,
Deixam-me saudosos abraços.
Vão-se faceiras algumas,
Outras,  desfazem tristezas e dor.
Umas libertam-se, curam-se, voam,
Outras perfumam, inspiram, abrem caminhos
Em vida, broto e flor.

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Author: Celi Anizelli

Sou teimosa, caio, levanto, sacudo a poeira e começo tudo de novo!

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