ANUNCIAÇÃO

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Cheiro de terra molhada
chuva que o vento anuncia
vida em redemoinho
leva sementes na ventania.
Flores germinam
brotam em outro lugar.
Na serra pontuada de
roxos, rosáceos e brancos,
espreguiçam os manacás.

 

Fotografia: Alexandre Mazzo/Celi/1994

 

ÁRVORE

Não vou a lugar algum,
Feito árvore, finco raízes no chão.
No abraço, passeio em mil galhos,
Protejo, dou sombra, acolho.
Paciente, espero o assovio do vento,
Apuro ouvidos, sentidos e tato,
Recolho-me em quartos de outonos minguados.
Silencio para o balanço das vozes,
São folhas amigas que ouço,
Vieram contar-me histórias!
Enchem o ar de suspiros, sonhos e planos,
Sussurram-me pequenos segredos,
Tornam-se cúmplices neste fio de tempo.
Aos poucos e à força, haurem dos galhos,
Dão-me um último adeus,
Deixam-me saudosos abraços.
Vão-se faceiras algumas,
Outras,  desfazem tristezas e dor.
Umas libertam-se, curam-se, voam,
Outras perfumam, inspiram, abrem caminhos
Em vida, broto e flor.

Um dia…

UM DIA…

Um dia, quando cheguei em casa, encontrei um bilhetinho que dizia assim… “a vida é a arte dos encontros, pena que existam tantos desencontros.”

É de autoria de Vinícius de Moraes e alguém, naquele momento apropriou-se do pensamento para se expressar.

Encontros são importantes, mas desencontros, muitas vezes, são necessários.

Para mim, de relevante nestas idas e vindas é aquilo que importamos para dentro da alma.

Família, amigos, amores, paixões, ou estranhos que passam e nunca mais serão vistos. Encontrar, desencontrar, conhecer e desconhecer Quantas vezes eu puder me darei esta chance.

Um dia, alguém me disse que eu poderia voltar atrás, fazer de novo, mudar de ideia quantas vezes eu quisesse. Lembro-me até hoje da manhã que pude ouvir estas palavras. Alertou-me para que eu não tivesse medo de julgamentos, a não ser de mim mesma… Se fosse este o caso!

Um dia, ouvi que eu não havia chegado a lugar nenhum, nem construído coisa alguma. Mas o que é esse lugar nenhum ou coisa alguma? Pontos de vista diferentes, maneiras de ver a vida.

Um dia, destes de domingo que passamos em família, perguntei à uma das minhas tias, das muitas que tenho, como ela se mantinha forte assim, sempre tão linda, sorrindo e feliz quando passava por um problema sério de saúde. Ela segurou minhas mãos e respondeu do fundo daqueles olhos azuis:

– ” Filha, é porque eu amo a vida!”

Encontros salutares… Desencontros necessários.

Lições para toda a vida.

Um dia, alguém também te deixará um bilhetinho.

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Fotografia: Alexandre Mazzo

Letras para um amor

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Fotografia: Alexandre Mazzo
 
 
Na minha quietude,
entrelaço minhas mãos entre as dele e
passeio silenciosa com ele
pelo eterno e o efêmero.

Inquietude

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Fotografia: Alexandre Mazzo

 

Espinhos no travesseiro,
fronhas retorcidas.
A noite, de braços dados com a madrugada,
esvaiu-se  insone e nua de tanto amanhecer.