As mãos

E eram assim…
quase  inseparáveis.
Reconheceram-se

E não ficaram mais sós.
Eram compatíveis
eram digitais.

Andavam juntas, em paz.
Coloriam histórias,
Desenhavam melodias.
Nada se entristecia quando juntas.
Sabiam o quanto eram importantes em pequenos gestos e cuidados
com a terra, o fogo, a água, o ar,
Elementos naturais.
E assim viveram por um longo tempo.
Compatíveis, digitais.
Andavam juntas, em paz

Um dia, um dos pares viajou para  terras longínquas.
Despediu-se, partiu.
E de uma estranha saudade o ar se inundou
Ainda assim voavam ímpares, em paz

Foto: Alexandre Mazzo

Nonsense

Fotografia: Alexandre Mazzo
Palavras  vão e voltam acidentais
ácidas, básicas ou temperadas com sal e limão
molhadas com a saliva da boca de um leão
Palavras soltas 
vão do copo ao balcão
encharcadas de batom
do intelectual cientista ao equilibrista
daquele que acredita 
nas nuas palavras bonitas
dos homens de fé

Palavras de quem estudou e viajou de quem não duvida,

de quem realiza, de quem sabe quem é

Palavras de músico
de cantor
de compositor
de quem ficou
de quem mergulhou na palavra 
e se afogou

“palavra” não verbal
Palavras atemporais
naturais 
noturnas
diurnas
animais
secas
enxutas
brutas
molhadas com a saliva da boca de um leão
temperadas com o azedo doce do sal com limão