Quando eu era crianca, nesta época do ano, esperávamos o almoço de Ano Novo para comemorar com a família. A festa acontecia no barracão da serraria da Vila Anizelli, na minha cidadezinha com nome de dia: Primeiro de Maio.
A mesa e bancos eram montados com tábuas e cavaletes no coração da oficina do meu avô. Era uma enorme oficina de carrocerias de madeira para caminhões. Cheia de máquinas organizadas para abrir espaço, algum trabalho ainda para meus tios terminarem depois do ano novo e um cheiro inesquecível de pó-de-serra…
Entre a criançada de primos e tios, devíamos somar quase 50 pessoas em volta daquela mesa que, para mim, parecia não ter fim de tão grande!
Mas o mais esperado por nós, crianças, era o que meu avô Affonso nos dava.
Na época, uma nota de um cruzeiro para cada neto.
Esperada com uma alegria sem fim, aguardávamos a chamada na pequena varanda em frente a sua casa.
Com aquele gesto ele sempre nos dizia “- Bom princípio de Ano Novo!”
Vô Affonso mais parecia um papai Noel com seus cabelos branquinhos e olhos muito azuis.
E eu, dos meus olhinhos de neta, o respeitava, admirava e o achava lindo!
Com o passar do tempo, e meu avô certamente desejando um bom princípio de ano para alguns anjos no céu, a moeda passou a ser um sonho de valsa, gesto este que meu pai repetiu por muitos anos.
Uma doce lembrança que jamais esquecerei.
Com saudades ao lembrar desta história passo adiante a vocês um “BOM PRINCÍPIO DE ANO NOVO”, o mesmo que meu avô tão carinhoso nos desejava e, de um outro jeito, o que meu pai até hoje nos faz.
E se possível, elogiar mais, ser gentil com qualquer pessoa, deixar as mágoas e amarguras seguirem um outro curso e procurar embalar seus dias de 2016 num doce sonho de valsa!
É o meu desejo.
Deus te abençoe imensamente.
Feliz, muito feliz ANO NOVO!

