ANO NOVO



Quando eu era crianca, nesta época do ano, esperávamos o almoço de Ano Novo para comemorar com a família. A festa acontecia no barracão da serraria da Vila Anizelli, na minha cidadezinha com nome de dia: Primeiro de Maio.
A mesa e bancos eram montados com tábuas e cavaletes no coração da oficina do meu avô. Era uma enorme oficina de carrocerias de madeira para caminhões. Cheia de máquinas organizadas para abrir espaço, algum trabalho ainda para meus tios terminarem depois do ano novo e um cheiro inesquecível de pó-de-serra…
Entre a criançada de primos e tios, devíamos somar quase 50 pessoas em volta daquela mesa que, para mim, parecia não ter fim de tão grande! 
Mas o mais esperado por nós, crianças, era o que meu avô Affonso nos dava. 
Na época, uma nota de um cruzeiro para cada neto. 
Esperada com uma alegria sem fim, aguardávamos a chamada na pequena varanda em frente a sua casa.
Com aquele gesto ele sempre nos dizia “- Bom princípio de Ano Novo!” 
Vô Affonso mais parecia um papai Noel com seus cabelos branquinhos e olhos muito azuis. 
E eu, dos meus olhinhos de neta, o respeitava, admirava e o achava lindo!
Com o passar do tempo, e meu avô certamente desejando um bom princípio de ano para alguns anjos no céu, a moeda passou a ser um sonho de valsa, gesto este que meu pai repetiu por muitos anos. 
Uma doce lembrança que jamais esquecerei. 
Com saudades ao lembrar desta história passo adiante a vocês um “BOM PRINCÍPIO DE ANO NOVO”,  o mesmo que meu avô tão carinhoso nos desejava e, de um outro jeito, o que meu pai até hoje nos faz.
E se possível, elogiar mais, ser gentil com qualquer pessoa, deixar as mágoas e amarguras seguirem um outro curso e procurar embalar seus dias de 2016 num doce sonho de valsa! 
É o meu desejo.
Deus te abençoe imensamente. 
Feliz, muito feliz ANO NOVO!

SUCESSO

As pessoas me perguntam há quanto tempo eu faço pães.
Bom, se eu for pensar desde lá atrás quando comecei… Já deve fazer uns dez anos ou um pouco mais… Mas, profissionalmente, desde maio de 2013. Para colocar em números, um ano e sete meses a partir da data que escrevo este texto.

Quando digo isto escuto um misto de exclamação: ” – Nossa, tão rápido e já está assim?!” Sim, mas assim como, não é?

Então, quero escrever hoje sobre meu “rápido sucesso” neste ofício e dizer a você que ele demorou 52 anos para acontecer. Ficou com inveja? (Risos) Não fique!
Sim, 52 anos construindo uma história para que eu descobrisse um ofício, ou trabalho, ou profissão que me fizesse feliz. Sim, 52 anos para adquirir maturidade, para ter paciência, para deixar de me colocar como vítima, para levantar dos meus tombos sacudir a poeira e começar tudo de novo, às vezes, em mais um trabalho que não daria certo. E o tempo, minha juventude, minha disposição e ânimo indo embora e eu assisti tudo!
Sonhei muito, olhava pessoas mais jovens do que eu, já bem sucedidas em suas profissões, amigos que conquistavam bens materiais – casa, carro, negócios indo bem – coisas que eu ainda “ralo” para ter.
Deixei-me abater, desanimei, não acreditei, tive momentos muito ruins com minha solidão e depressão.  Corri para saber se ainda daria tempo. Fiz terapia, fiz cursos para autoconhecimento, tive altas crises pessoais, caí em descrédito com minha família, com professores quando eu fazia faculdade e com pessoas que mal me conheciam e me julgaram e ainda julgarão. O mundo é assim!
Mas, quando resolvi ir por este caminho, ainda tive milhões de fantasmas me atormentando a respeito dos meus fracassos. Cheguei a acreditar em alguns. Esmoreci, busquei ajuda de novo, chorei, chorei, chorei, chorei… Busquei apoio em amigos, irmãos, família, meu pai, meu marido, meu filho e continuava a chorar para limpar minha alma e me deixar mais leve de tanto peso que eu carregava por AINDA NÃO TER ACERTADO NA VIDA! Sim, com todas as letras em caixa alta!

Olha, minha carreira acadêmica deu voltas em arquitetura, letras, história, administração de empresas… Quanta coisa comecei pra depois de tudo fazer pão!
Fui trabalhar como auxiliar de faturamento – meu primeiro emprego, fui secretária bilingue, meu segundo, fui atendimento em agência de propaganda, fui contato…(risos, porque isto é antigo, né?) Sim, contato comercial em um jornal, fiz trabalho de RP, sem ser, para uma instituição educacional, fui vendedora de roupas – fazia compras em São Paulo, voltava de malas cheias, vendia tudo e gastava também. Fui gerente de empresa de logística, fiz trabalho de produtora de fotografia, vendi fotografia para casamento, fui representante comercial daquele jornal que trabalhei como contato (risos, acho engraçada a palavra, uai!). Fui demitida, mais de uma vez. Voltei a fazer faculdade barriguda esperando o Antonio. Sim, porque eu interrompia tudo em busca do trabalho perdido, da profissão idealizada e esquecia do básico!

Casei, tive filho, construí uma família, fiz muitos amigos e ainda faço, continuei chorando por algum tempo, fiz terapia de novo, quis desistir, continuei, tive apoio de amigos que nutrem um sentimento genuíno por mim e por meus desacertos. Riem comigo, levantam meu ânimo… Como tive outros que  foram embora e nunca mais vieram na minha casa e nem os culpo, já passei da idade de cobrar qualquer coisa de alguém. Cada um é o que é e vivi o que tinha para viver e aprender com eles, não é? É assim! Sem cobranças, sem mágoas, sem melindres… Quanta experiência ganhei! Que ótimo! Bola pra frente que atrás vem gente (risos)!

O que eu poderia dizer mais sobre este meu “rápido sucesso”?
De verdade, não sei, mas vou torcer para que eu realmente tenha sucesso no que faço, que eu possa também comprar minha casa, meu carro, ter uma vida financeira mais confortável, fruto de muito trabalho, de muitos erros e tombos para acertar. Torcer para encontrar boas pessoas, bons profissionais no meu caminho que possam me ajudar a dar continuidade ao que comecei.
Que eu tenha responsabilidade e seriedade ao passar minhas histórias, meu conhecimento, para pessoas que, espero, possam fazer bom uso deles e que elas também tenham sucesso naquilo que fizerem. Não somos nada sozinhos!

Não sei, acho que é isto, se eu lembrar de mais alguma coisa volto aqui para escrever…***

Mas sucesso, sucesso mesmo é acordar de manhã com um beijo do meu filho me dizendo bom dia.
É ser digna de receber pequenas gentilezas de pessoas que vejo tão pouco, mas que se lembram de um dia, de uma conversa, de uma palavra que eu disse ou escrevi e que, para elas, naquele dia fez toda a diferença.
Isto para mim é ter sucesso…