A PRECE DE FRANCISCO DE ASSIS



O primeiro sentimento que esta prece me proporciona é um passeio à minha adolescência onde eu participava de um coral da igreja católica e durante a missa nós a cantávamos.
Hoje ao lê-la, procurei fazer uma análise mais profunda pelo caminho nada simplista deixado por  Assis.
Observei que a prece é um convite à mudança de nossos padrões de sentimento e como consequência a de comportamento.

Ao iniciar a prece Francisco a faz com um pedido:  “Senhor, fazei-me um instrumento de vossa paz.”

Se fôssemos todos músicos entenderíamos que só se consegue harmonia quando todas as notas de um instrumento estão afinadas. Para aqueles que tiverem ouvidos de ouvir é um convite aos ajustes de nós mesmos, aos ajustes de nossas próprias imperfeições.

Não fosse isto seremos instrumentos a emitir sons em desarmonia, desafinados e fora do tom.
O convite de Assis é o exercício de ouvir-se e fazer-se ouvir como um verdadeiro instrumento afinado e regido por Deus.
Um instrumento onde pudesse expressar, conforme nos ensina a prece, a musicalidade do amor, do perdão, da união, da fé, da verdade, da esperança, da alegria e da luz.
A prece de Assis nos propõe uma reflexão sobre nossos sentimentos, um chamado para nossa reforma íntima, porque é fato que nenhum instrumento desafinado consegue levar boa música a outros ouvidos , sequer tocar um coração.
E quando estivermos em sintonia com nosso eu interior, quando este eu interior passar pela educação e compreensão dos nossos mais sombrios tons é que conseguiremos exercer a genuína musicalidade proposta na prece.

Na segunda parte, percebo a atemporalidade da prece ao usar formas verbais para expressá-la:
primeiro no infinitivo: “consolar, compreender, amar”, gramaticalmente falando, são verbos apresentados em sua forma natural, sem nenhum vínculo ao tempo, modo ou pessoa e deixa claro, pelo menos para mim, o exercício pleno da prece a qualquer tempo, por qualquer pessoa e em qualquer circunstância.

Depois, o que me chama a atenção para esta atemporalidade é uma outra forma verbal, o gerúndio: “dando, perdoando, morrendo”, usado para indicar uma ação simultânea à outra e mostra o movimento da progressão indefinida sobre o efeito da oração, o gerúndio nos dá a expressão de uma ação prolongada e em curso:
” é dando que se recebe, é perdoando que se é perdoado”  

e encerra, em sua última linha, a reflexão viva sobre a continuidade de nossa existência: 
 ” e é morrendo que se vive para a vida eterna.”
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Author: Celi Anizelli

Sou teimosa, caio, levanto, sacudo a poeira e começo tudo de novo!

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