O Besouro da Capa Dourada e Coroa de Esmeralda (um pequeno conto)

Besouro Lamprocyphus augustus, espécie nativa do Brasil.
[Imagem: Jeremy Galusha]
Foi numa noite de dezembro de 98,
em Londrina,
na casa da tia Dirce,
quando esta historinha aconteceu…
O Besouro da Capa Dourada e Coroa de Esmeralda
(para o meu amigo Beto Maran)
Zzzzzzzzuuuummm!

Passou o besouro pela minha cabeça caindo de pernas pro ar em cima da mesa!
E como se fosse um acrobata, segurou-se em suas longas pernas posteriores e zump!
Virou-se majestoso exibindo sua roupa dourada e sua coroa de esmeralda.
Até pensei em ajudá-lo, pois vivo ajudando besouros e outros bichos a desvirarem-se, mas qual o quê!
Desta vez vi-me vencida por este pequeno inseto de seis patas que foi muito mais rápido do que eu.
Parei o que estava fazendo a fim de observá-lo.
Ele se movimenta de lado, fazendo uma circunferência, um círculo em si mesmo e não sai do lugar. Pensei que naquele momento eu também estava me sentindo igual a um besouro.
E o besouro muda apenas a direção do seu nariz, se é que ele tem um, não é? Por que será?
Talvez para pegar impulso e voar.
Ou apenas fazer uma pequena pausa para descansar de um loooooongo voo.
Ou até mesmo refazer-se do susto que me deu, o que seria mais provável.
Será que insetos também dormem?
Será que é um filhotinho e está perdido?

Ou será que os besouros de capa dourada e coroa de esmeralda são desgarrados da família e preferem reinar sozinhos?
Quantas histórias ele teria para contar?
Quantas casas visitou e quantas pessoas diferentes ele conheceu?
Indiferente aos meus questionamentos, lá vai ele, esticando uma de suas pernas como uma bailarina que se prepara para dançar, aquecendo-se em seus exercícios para alçar voo.

Fixo o meu olhar e pairo sobre ele e o confundo com os desenhos da toalha de mesa que combinam com o besourinho.
Ah! Claro! Foi por isto que ele escolheu esse lugar para pousar.
Por quanto tempo ainda ficará parado ali?

Eu, tentando uma aproximação:
” – Oi, senhor Besouro. O senhor quer conversar?
Como é seu nome? De onde vem?
Posso ajudá-lo em alguma coisa?”

E você acha que ele respondeu?
Humpf!… Nem me deu atenção!
Além de tudo é orgulhoso e eu detesto insetos orgulhosos.

Tudo bem, continuarei a ler minhas filosofias enquanto o senhor aí decide o que quer fazer.
De qualquer modo, seja bem-vindo ao meu ambiente.
E não me importo com o susto que me deu.
Já que não quer conversar sobre nada, faremos companhia um ao outro.

Mas ainda insisti:
“- Está uma noite muito quente, o senhor não acha?
E há prenúncios de chuva… Senhor Besouro, o senhor também sente o cheiro de terra molhada no ar?
Humm, humm, eu sinto. O senhor sabia que são poucas as pessoas  que sentem?
Ou param para senti-lo?
As pessoas se esquecem de muitas coisas, o senhor não acha?
E os insetos?
Eles esquecem também?”
Nada.
Ele não respondeu nada.
Será que preciso buscar meu dicionário de besourês para conversar com o senhor?
O meu de português-insetês-insetês-português está emprestado; é um dicionário mais completo, mas, Borboleta-Violeta passou por aqui outro dia e o levou.

Hein, senhor Besouro?
É, acho que além de orgulhoso ele deve ser surdo.
Tento dar um sopro nele, pppfffff….
E espero para ver o que vai dar…. Aff!
E sabe o que ele faz?
Sim-ples-men-te, estica lentamente suas pernas e só!
Continua paradinho, quietinho, no mesmo lugar.
Acho que ele está com sono mesmo!

Na toalha da mesa onde ele pousou tem um desenho assim:

E o besourinho parece que enfeita a coroa de um rei.
E estende-se majestoso, abrindo sua capa dourada e reluzindo sua coroa de esmeralda.
Será que ele parou por ali para cumprir uma missão?
Por quanto tempo esteve voando à procura de um rei para enfeitar?
Pode ser também que ele nunca mais saia dali.
Será que foi para isso que ele veio: para enfeitar a coroa do rei?…

Fiquei a me imaginar naquele besourinho.
O quê eu faria se tivesse uma capa dourada, uma coroa de esmeralda e pudesse voar?

Para onde eu iria?
Que histórias eu contaria?

Talvez, cansada de tantas viagens eu pudesse, por fim,  passar num zzzuuummm pela sua cabeça e cair de pernas para o ar, na mesa da sua casa, na sala de jantar e, com certeza, valente eu esperaria para ver sua reação.
Você até poderia me fazer as mesmas perguntas e ter as respostas que eu não tive, dependeria do meu humor, é claro!
Mas, se preferir ficar calado, mesmo que seja em pensamento, vou tentar com o meu silêncio saber te ouvir.
Porque no fundo, todos nós procuramos ter um pouco da capa dourada e da coroa de esmeralda para poder voar até encontrar o nosso próprio rei.





 





Acompanhe-me também pelo blog Diário de Antonio
publicado no jornal virtual Gazeta do Povo
 

Noite e Dia

Na verdade
nossas diferenças
são nossas semelhanças.
Tenho o dia que dá vida, cor e sol à minha alma.
E você, tem a noite que te dá cor e som à tua alma.
Noite e dia
alternam-se
em tempo e ritmo perfeitos.
Andam lado a lado,
paralelos e juntos
Sempre no fim da tarde
ou ao nascer do dia
Estreitam-se em mágicos segundos
E tingem de cores o ar
celebram o fim ou o começo
numa deslumbrante dança de cores
estendem o tempo,
e firmam nosso encontro
na silenciosa festa que se faz presente.
Súbito instante de rubros tons,
Profusão de fins e começos,
Meu dia torna-se noite
Sua noite torna-se dia…
Sinto da sua alma o som
e você o sol da minha
Em todo fim de tarde
ou cada nascer do dia.

Casamento da Bisquí…




E foi assim…quando ela entrou no salão, emocionei-me e não consegui conter minhas lágrimas. 

De onde eu a via, lá no altar, lembrava do bebê fofo que foi e cheia de dobrinhas que ela tinha como se fosse um pãozinho. 

Depois, lembrei-me de mais fotos de ainda criança com caras e bocas e dos cabelinhos encaracolados. 

Lembrei da brincadeira que fazíamos (imitando aquela serra-serra…) onde eu falava e ela completava sempre a última sílaba: “você é meu a-mor, você é minha vi-daaa e você é a minha pai-xão e eu adoro vo-cêêê”… 

Da primeira cartinha que escreveu para mim e que até hoje tenho guardada. 

Um dia, quando tinha uns 5 ou 6 aninhos, ao sair com sua mãe, ficou preocupada comigo porque eu ficaria sozinha em casa e me disse: 
“-Tia, vou falar para o seu Zé ficar com você”…
 O seu Zé era o porteiro do prédio…



Bisquí, 

te desejo toda a felicidade do mundo. 

Que não haja obstáculos para o seu amor e que ele possa ser fortalecido onde você o colocar: no respeito, no carinho, nas palavras, em suas atitudes…

E que, principalmente o Caíque, seja um homem merecedor da esposa maravilhosa que tenho certeza que será! 

Deus os abençoe, na alegria, na saúde, na prosperidade e Deus os una, sempre e muito em quaisquer situações de dificuldade. 
Um beijo no Caíque e na minha sempre linda Bisquí. 
Sua tia coruja, chorona e que te ama muito!


                                                                         *******


Depois da lua-de-mel, Mariana veio cuidar da sua mudança e ficou 5 dias comigo em minha casa.
Para mim, foi um presente estar com ela durante estes dias.

Fotos da equipe de Regina Dalzoto – Guarapuava-PR
Aprendi a importância do precioso tempo que deveríamos ter mais em companhia uma da outra, de conseguir exercer meu papel de tia, de preparar um monte de pão de queijo para ela e comermos tudo com doce de leite, de irmos ao mercado municipal juntas e escolher os ingredientes para o jantar.



São preciosas oportunidades de convivência onde há lugar para longas conversas e muito choro, onde é possível exercitar o perdão e o esquecimento de quaisquer mágoas, seja em que tempo ou espaço elas foram criadas.



Há tempo principalmente para o exercício do amor e da compreensão. 

Das risadas e alegrias poucas vezes compartilhadas, por não estarmos por perto, mas que enchem nossa alma de esperança e bom ânimo.



Sua passagem foi um sol que aqueceu minha casa e meu coração.

Obrigada.
Deus te abençoe, Bisquí, eu ainda quero viver com você muitos momentos assim.