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| Mãe e pai, Natal de 2005 – fotografia: Alexandre Mazzo |
Hoje pela manhã li um assunto que falava sobre cavalheirismo…
E ao escrever fui “trocar ideias” com meus botões para continuar minhas conjecturas…
Lembrei das referências que tive e que deram-me base para o aprendizado na escola da vida… Melhor, a minha maior referência, ou deveria dizer reVerência…
O “seu” Gena.
Meu pai não possui o segundo grau completo.
Quando eu era criança não havia um dia sequer de não vê-lo debruçado na leitura de um livro, jornal ou revista.
Pergunte qualquer assunto, seja de que área ou atividade for, ele saberá conversar e expressar suas opiniões a respeito.
Ele tem sempre uma piada ou uma história engraçada, um “causo”, dos muitos que ouviu e viveu para contar.
Meu pai fará 73 anos, dos quais 62 foram dedicados à farmácia onde é proprietário e trabalha até hoje.
Quando viajo até sua casa, tem sempre um doce, uma comida ou uma fruta diferente, que ele compra para me agradar.
Sem contar nos muitos tucunarés congelados que ele me manda por sedex!
Quando criança, ele desde cedo nos ensinou a não sermos inconvenientes, a não nos intrometermos em assuntos de adultos e me lembro até hoje do seu olhar de censura quando fomos visitar um amigo dele e da porta fui chamando:
“- … ô Zé Baiano!”
Vixi! O sermão que eu ouvi ali mesmo antes de colocar o pé dentro da casa:
“- Como é que você chega na casa dos outros chamando a pessoa deste jeito?”
“- E se a esposa não gostar que o chamem assim?”
… Ai, ai, ai…
Dentro de casa eu ouvia o tempo todo meu pai referir-se a este amigo como o “Zé Baiano”, como é que eu poderia saber se a esposa dele não gostava disto?
Até hoje sinto a censura ao perceber que “exagerei” nas apresentações…
Ok, ok, haja terapia para resolver este “trauma do Zé Baiano” e outros nordestinos também!
Quantas vezes ouço mães com filhos na idade do meu Antonio preocupadas em preparar seus filhos para o mercado de trabalho, para o futuro… Mas eles só tem 9 anos! Puxa!
Mas que eu não me descuide da educação do meu filho em nenhum momento, por favor, nem daquela ensinada na escola!
Educação de dentro para fora. Olhar-se, tratar-se, curar-se.
E trago à memória muitos exemplos do meu pai, dos meus avós e como diz Arnaldo Antunes “antes deles tantos antes de nós…”
Para lembrar que a educação que escrevo aqui é aquela que vem de berço, não é comprada em prateleiras de supermercados ou nas grifes de lindas lojas nos shopping centers, não vem embalada em belas caixas com laços de cetim, não são os títulos conquistados ao longo da vida, a posição social e profissional conquistadas. Não. Não está fora, está dentro. Esta é a verdadeira educação.
Há muito mais lixeiros, faxineiros e outros “eiros” educados do que doutores empertigados pelas ruas.
Educação, antes de tudo, é autoconhecimento, um exercício contínuo de humildade e superação, um esforço em vencer nossas más tendências e melhorar-nos todos os dias.
Via meu pai beijar minha mãe todos os dias ao chegar e voltar do trabalho, de nunca discutirem na minha frente ou de meus irmãos.
O que trago hoje veio da honestidade que ambos imprimiram-me à alma, dos valores morais e das responsabilidades que fui adquirindo em paralelo ao meu aprendizado escolar, das preciosas orientações e cuidados que tive dele e de minha mãe no decorrer da minha adolescência. Cada qual à sua maneira, do seu jeito.
Enquanto filhos, não podemos esquecer do quanto potencializamos o que apreendemos dos exemplos dos nossos pais e, da mesma forma, assim faremos com os nossos filhos, ou com aqueles que nos observam e nos apontam como suas referências. É muita responsabilidade, não?
Na faxineira – anônima e a postos – nos supermercados e shoppings da vida onde nós distraídos displicentes vamos fazer nossas compras.
A pessoa educada não apresenta os sintomas afetados de atitudes ensaiadas é da sua natureza ser gentil com as pessoas, com qualquer pessoa.
Nada se conquista ou se constrói sem esforço, tempo e ações conjuntas, um dia alguém já disse: o que educa cura, o que cura educa.


